Situação de crianças centro-africanas é “pior do que se pensava”

15 agosto 2017

Unicef fala de mais vítimas de violência e de recrutamento; um em cada três menores de idade foi forçado a fugir de casa devido aos combates; dois terços do território centro-africano são controlados por grupos armados.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A República Centro-Africana é um dos piores países do mundo para se ser criança, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência defendeu esta terça-feira que a situação pode ser “pior do que se pensava” com violações que ocorrem longe do domínio público como parte do recente ciclo de violência que provocou cerca de 600 mil deslocados e refugiados. Uma em cada cinco crianças foi obrigada a abandonar a casa.

Telefonia

O Unicef defende que apesar da situação estar agora tranquila na capital Bangui, a fraca infraestrutura rodoviária e a cobertura de telefonia móvel no campo torna difícil saber o que realmente acontece.

Um dos exemplos foi o recente assassinato de seis voluntários da Cruz Vermelha que só foi conhecido dois dias depois.

De acordo com o diretor de Comunicação do Unicef na Republica Centro-Africana Donaig Le Du, as crianças são as principais vítimas dos grupos armados que já não lutam somente entre si mas atacam civis e cometem graves violações.

O representante narrou a história de um bebé morto nos braços da sua mãe num hospital de uma das regiões, além do saque de materiais hospitalares que inclui aparelhos de frio o que leva à interrupção significava de ações de imunização.

Acesso

O país também é considerado um dos mais perigosos para se trabalhar como funcionário humanitário pelos problemas de acesso.

Dois terços da República Centro-africana são controlados pelos grupos armados, principalmente a sul na fronteira com a República Democrática do Congo onde se disputa o controlo dos recursos naturais.

Cerca de 10 mil crianças foram libertadas desses agrupamentos em 2014,  mas estima-se que com a nova onda de violência estas continuem a ser recrutadas.

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