Guterres pede que a voz do povo de Mianmar “seja ouvida e amplificada”
BR

31 janeiro 2022

Tomada de poder pelos militares, que levou à detenção da então Conselheira de Estado Aung San Suu Kyi e do presidente Win Myint completa um ano em 01 de fevereiro; secretário-geral das Nações Unidas demonstra solidariedade com a nação asiática e defende o retorno de uma sociedade inclusiva e democrática.  

A tomada de poder pelos militares em Mianmar, que levou à detenção da então Conselheira de Estado e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, completa um ano nesta terça-feira, 01 de fevereiro. Por ocasião do aniversário, o secretário-geral das Nações Unidas divulgou um comunicado expressando sua solidariedade com a população do país e pedindo o retorno de uma sociedade democrática e inclusiva.  

Na mensagem, divulgada pelo seu porta-voz, António Guterres descreve as múltiplas crises que resultaram no aumento da violência, das violações dos direitos humanos, da ampliação da pobreza e da “indiferença do regime militar, o que tem feito piorar as condições humanitárias”. Ele pede a proteção de todas as comunidades, incluindo a minoria Rohingya.  

Resultados concretos 

Aung San Suu Kyi era Conselheira de Estado quando foi retirada do poder.
ONU/Violaine Martin
Aung San Suu Kyi era Conselheira de Estado quando foi retirada do poder.

O chefe da ONU declarou que “as múltiplas vulnerabilidades das pessoas em Mianmar e as implicações regionais exigem uma resposta urgente”. Guterres também destacou que fazer chegar ajuda humanitárias à população que mais precisa é algo absolutamente importante “para que Nações Unidas e parceiros continuem trabalhando no terreno”. Por isso, ele faz um apelo às Forças Armadas, para que respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais. 

António Guterres lembra que o povo da nação asiática “precisa ver resultados concretos”. Os militares birmaneses tiraram do poder o governo eleito de forma democrática, liderado por Aung San Suu Kyi e pelo presidente Win Myint no da 01 de fevereiro do ano passado. Na data, foi anunciado um estado de emergência, líderes políticos foram detidos e manifestações de rua contra o golpe foram totalmente reprimidas. 

Renovação urgente de esforços 

Na sexta-feira, 28 de janeiro, a alta comissária para os Direitos Humanos da ONU lembrou que 12 mil pessoas continuam detidas de forma arbitrária por expressarem sua oposição ao regime, sendo que 9 mil continuam sob custódia e pelo menos 290 morreram na prisão – muitas provavelmente após terem sido torturadas.  

Michelle Bachelet pediu o retorno dos direitos humanos e da democracia e afirmou ser hora “de renovar, com urgência, os esforços para garantir que os perpetradores de violações sistemáticas de direitos humanos e de abusos sejam responsabilizados” por suas ações.  

Perseguições  

Noeleen Heyzer é atualmente enviada especial para Mianmar.
Foto: UNESCAP
Noeleen Heyzer é atualmente enviada especial para Mianmar.

Confrontos armados aumentaram em frequencia e intensidade em Mianmar, incluindo a perseguição a grupos étnicos e minoria religiosas, como os Rohingya. A enviada especial do secretário-geral, Noeleen Heyzer, tem engajado de forma ativa com todas as partes interessadas em apoiar um processo liderado por Mianmar. 

Segundo Guterres, Heyzer continuará “mobilizando ação imediata, por meio da cooperação entre a ONU e a Associação das Nações do Sudeste Asiático, com a meta de cuidar das “necessidades desesperadoras da população de Mianmar”.  

O secretário-geral explicou que este trabalho é “essencial para criar e permitir um ambiente para o diálogo inclusivo”, adicionando que “qualquer solução precisa envolver o engajamento direto com todos os que estão sendo afetados pela crise”, defendendo que as vozes dessas pessoas “sejam ouvidas e amplificadas”.  

 

 

 

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