Chifre da África precisa de US$ 138 milhões com urgência para evitar crise alimentar
BR

18 janeiro 2022

FAO explica que região vem sofrendo com invasão de gafanhotos e com a pandemia; terceiro ano consecutivo de pouca chuva ameaça produção agrícola; 1,5 milhão de moradores de áreas rurais precisam receber assistência.  

Invasões constantes de gafanhotos, pandemia de Covid-19 e falta de chuvas pelo terceiro ano consecutivo continuam ameaçando a segurança alimentar na região do Chifre da África. O alerta é da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.  

Segundo a agência da ONU, são necessários, com urgência, US$ 138 milhões para auxiliar 1,5 milhão de pessoas que vivem em áreas rurais, onde pastos e plantações foram fortemente impactados pela seca severa.  

Reverter risco de fome em larga escala 

Seca na Somália
UNDP Somalia
Seca na Somália

Na segunda-feira, a FAO apresentou um plano de resposta pedindo um apoio maior para o setor agrícola do Chifre da África, uma região que já é propensa à insegurança alimentar devido ao clima extremo, limitações de recursos naturais e conflitos.  

A agência explica que a terceira temporada consecutiva de seca, causada pelo La Ninã, tem ampliado as preocupações de uma possível crise de fome em larga escala, caso as comunidades rurais produtoras de alimentos não recebam assistência adequada a tempo.  

Os países mais afetados são Etiópia, Quênia e Somália, com as projeções indicando que 25,3 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar aguda até meados do ano, colocando o Chifre da África entre as maiores crises alimentares do mundo.  

Sementes e leite  

Distribuição de comida em Afar, na Etiópia.
Foto: © WFP/Claire Nevill
Distribuição de comida em Afar, na Etiópia.

Dos US$ 138 milhões que estão sendo pedidos pela FAO, US$ 130 milhões são necessários com urgência, até o fim de fevereiro, para que seja possível fornecer assistência vital para comunidades agrícolas muito vulneráveis nestes três países.  

O diretor para Emergências e Resiliência da FAO declarou que dar apoio em momentos como este tem um “impacto enorme”. Rein Paulsen falou também sobre a importância de agir com rapidez para entregar água, sementes, alimentos para os animais e cuidados veterinários, além de assistência em dinheiro para as famílias rurais em risco.  

O representante da agência da ONU enfatizou que o momento certo é agora, uma vez que “o ciclo das estações não espera por ninguém”. Em 2011, por exemplo, uma seca severa contribuiu para uma crise Somália, com 260 mil pessoas passando fome.  

Criar as condições ideais  

Por outro lado, em 2017, situações de fome associadas à seca em quatro países do Chifre de África foram revertidas graças a uma ação internacional para ajudar as comunidades rurais.  

O plano de ação que acaba de ser lançado pela FAO tem a meta de ajudar 1,5 milhão de pessoas em risco na Etiópia, Quênia e Somália, fornecendo condições ideias para que essas famílias mantenham suas criações de gado saudáveis e produzindo leite, por exemplo.  

A FAO planeja distribuir sementes de milho, feijões e de outros vegetais e ajudar no acesso à irrigação.  

O programa “dinheiro por trabalho” também deve ser implementado para garantir que as famílias rurais tenham renda para comprar comida enquanto esperam colher os frutos das plantações.  

Se o plano da agência for financiado na totalidade, será possível ajudar na produção de 90 milhões de litros de leite e 40 mil toneladas de cultivos alimentares no primeiro semestre de 2022, ajudando 1 milhão de pessoas a estarem seguras e sem fome por pelo menos seis meses.  

 

 

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