Levantamento expõe fragilidade do sistema alimentar a choques de saúde ou clima
BR

23 novembro 2021

Estudo da FAO destaca lições aprendidas com Covid-19; 3 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a uma dieta saudável, e 1 bilhão a mais podem enfrentar a situação se um novo choque extremo climático ou de saúde reduzir rendas da população em um terço.  

Os países precisam fazer com que os sistemas agrícolas sejam mais resilientes a imprevistos climáticos extremos ou patológicos, como foi o caso da pandemia de Covid-19. 

Um levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, divulgado nesta terça-feira, destaca a importância de um preparo a eventos inesperados e de grande impacto.  

Indicações 

Mudança climática afeta também produção agrícola
Foto: Banco Mundial/Peter Kapuscinski
Mudança climática afeta também produção agrícola

Este é o foco do relatório O Estado da Alimentação e Agricultura 2021, com ênfase em como tornar os sistemas de produção de alimentos mais resilientes a choques e a estresses. O documento fornece uma série de recomendações aos governos.  

Segundo a agência da ONU, cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo não podem custear uma dieta saudável. Se um novo choque acontecer, reduzindo as rendas da população em um terço, é possível que mais 1 bilhão passem a esse patamar.  

Além disso, o custo da comida poderá subir para 845 milhões de pessoas se houver uma desordem nos sistemas de transporte de alimentos. A FAO lembra que mesmo antes da pandemia, o mundo já estava com dificuldades para cumprir as metas de erradicação da fome até 2030.  

Outro destaque é o aumento, em todo o mundo, de eventos climáticos extremos, conflitos armados e imprevistos, que contribuem para o aumento do preço global dos alimentos.  

Brasil  

Sementes são chave para o incremento de 50% na produção agrícola
Pnuma/Lisa Murray
Sementes são chave para o incremento de 50% na produção agrícola

A FAO reforça ser urgente melhorar a capacidade desse sistema de suportar os choques mencionados no relatório. O Brasil é mencionado no documento, já que 60% dos valores de exportação do país vêm de apenas um país parceiro comercial. Com isso, o Brasil fica com poucas opções se esse parceiro for atingido por um imprevisto.  

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, declarou que “a pandemia salientou a resiliência e a fraqueza dos sistemas agroalimentares”. Este setor, que envolve a produção de alimentos, armazenamento, processamento, transportes, distribuição e consumo, produz 11 bilhões de toneladas de comida por ano.  

A FAO recomenda aos governos que tornem a resiliência dos sistemas agroalimentares uma parte estratégica dos seus planos de resposta a desafios futuros.  

Outro fator importante é garantir a conectividade, para que os sistemas ultrapassem os imprevistos de maneira rápida, mudando os canais de transportes, marketing e força de trabalho sempre que for necessário.  

 

 

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