ONU alerta para piora de crise alimentar na República Democrática do Congo
BR

10 novembro 2021

Programa Mundial de Alimentos diz que situação pode se agravar nos próximos meses e agências precisam aumentar assistência; insegurança alimentar aguda é maior que em qualquer outro país africano.

As Nações Unidas revelam que a crise de segurança alimentar na República Democrática do Congo está bem longe do fim.

Cerca de 27 milhões de congoleses, ou um quarto da população do país africano, sofrem com uma emergência aguda de falta de alimentos.

Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.
Foto: © UNICEF/Olivia Acland
Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.

Violência

O alerta do Programa Mundial de Alimentos, PMA, ressalta que agências humanitárias precisam aumentar a assistência à RD Congo para evitar uma piora do quadro nos próximos meses.

Uma análise da Fase de Classificação Integrada de Segurança Alimentar, IPC na sigla em inglês, sugere que fatores como deslocados por violência, fracasso da infraestrutura e baixas colheitas pioraram a fome no país.

O número de pessoas que se encaixam na categoria de insegurança alimentar aguda é maior que em qualquer outro país africano.

O documento mostra áreas ao redor da capital congolesa, Kinshasa, gravemente afetadas, e um aumento da fome em números alarmantes. Uma realidade que deve permanecer até o primeiro semestre de 2022.

A previsão é de piora para grupos mais vulneráveis incluindo crianças de colo, grávidas e mães que amamentam.

Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo
PMA/Arete/Fredrik Lerneryd
Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo

Devastação

Muitas pessoas na República Democrática do Congo vivem uma situação desesperadora com vários obstáculos como insegurança, doenças, devastação ambiental e baixo acesso a serviços financeiros.

O representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, Aristide Ongone, disse que a única forma de romper este ciclo para os congoleses é através de assistência para o aumento de resiliência e produtividade.

Já o chefe do PMA no país africano, Peter Musoko, afirma que os dados da análise, divulgada pela ONU, são um abrir de olhos para que haja mudança na estratégia de parceria com o governo, o setor privado e outras partes.

A RD Congo vive uma crise política prolongada há mais de duas décadas com efeitos arrasadores, além de desastres naturais agravados pela Covid-19.

As medidas de contenção da pandemia levaram a uma piora da economia com a desvalorização da moeda e o desemprego de milhões de trabalhadores até mesmo no setor informal.

Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos
© Acnur
Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos

200 mil alunos

A FAO informou que precisa de US$ 65 milhões para atender 1,1 milhão de congoleses, mas até o momento pouco mais 5% deste total foram entregues.

Este ano, a agência da ONU levou sementes e instrumentos agrícolas a quase 160 mil produtores rurais facilitando quase 10 mil toneladas de alimentos.

Já o PMA diz precisar de US$ 99 milhões até abril. A agência quer chegar a 8,7 milhões de pessoas na RD Congo ainda este ano com assistência de cupons de alimentos, nutrição e outros recursos.

Os programas de merenda escolar do PMA esperam alcançar 200 mil alunos entre este ano letivo e o próximo. A meta até 2024 é atingir meio milhão de crianças congolesas.

 

 

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