Cinco coisas que você precisa saber sobre máscaras e poluição plástica 
BR

31 março 2021

A pandemia do novo coronavírus levou a um aumento no uso de máscaras descartáveis, luvas e outros itens de proteção, afetando potencialmente o combate à poluição marítima.  

As Nações Unidas e seus parceiros sugerem medidas para reduzir significativamente, ou até mesmo zerar, a quantidade de plásticos descartados a cada ano. 

 

A poluição dos oceanos, um problema já tão grave, pode tomar proporções ainda maiores por causa da Covid-19 e os novos hábitos criados com a pandemia. Para promover conscientização,  este guia destaca cinco pontos sobre a poluição promovida por máscaras e objetos plásticos. 

 

A pandemia gerou uma alta no consumo de máscaras que, depois de descartadas, acabam indo parar nos oceanos, poluindo o meio ambiente.
Unsplash/Brian Yurasits
A pandemia gerou uma alta no consumo de máscaras que, depois de descartadas, acabam indo parar nos oceanos, poluindo o meio ambiente.

 

1) Aumento da poluição causada pelo grande consumo de máscaras, luvas e outros produtos 

 

A pandemia do novo coronavírus causou um aumento significativo na produção de máscaras descartáveis. Os dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, indicam que as vendas globais de máscaras foram de US$ 166 bilhões em 2020. Um ano antes, este total era de US$ 800 milhões. 

 

A quantidade de máscaras que foram parar nos oceanos assustou especialistas em conservação marinha e proteção ambiental. Na Riviera Francesa, vídeos que mostravam mergulhadores profissionais coletando máscaras e luvas chamaram a atenção para a poluição dos oceanos. Um problema que já era grave antes da pandemia e que precisa de um esforço coletivo para ser solucionado: população, líderes políticos e governos. 

 

 

Se o lixo hospitalar, que grande parte é composta de plástico, não for administrado de maneira adequada, pode ocorrer o despejo descontrolado.
Pnud Sierra Leone/Mohamed Kanu
Se o lixo hospitalar, que grande parte é composta de plástico, não for administrado de maneira adequada, pode ocorrer o despejo descontrolado.

2) Considerar a gestão de resíduos como um serviço público essencial 

 

Cerca de 75% das máscaras descartadas, assim como outros resíduos relacionados à pandemia irão para aterros sanitários ou ficarão flutuando nos mares. 

 

Além dos danos ambientais, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma,  estima que o custo financeiro, em áreas como turismo e pesca, será de cerca de US$ 40 bilhões. 

 

Com a crise, o lixo hospitalar aumentou consideravelmente e ali grande parte é composta de plástico descartável. O Pnuma alerta que, se o lixo não for administrado de maneira adequada, pode ocorrer o despejo descontrolado. 

 

As possíveis consequências incluem riscos para a saúde pública por máscaras usadas e infectadas e a incineração descontrolada de máscaras, resultando na liberação de toxinas no meio ambiente e transmissão secundária de doenças aos seres humanos. 

 

Temendo esses possíveis danos à saude e ao meio ambiente, a agência da ONU pede que os governos considerem a gestão de resíduos, incluindo resíduos médicos e nocivos, como um serviço público essencial. O Pnuma argumenta que o manuseio seguro e a disposição final são vitais para uma resposta de emergência eficaz. 

 

Já a diretora de comércio internacional da Unctad, Pamela Coke-Hamilton ressalta que a poluição por plásticos já era uma das maiores ameaças ao planeta antes da pandemia, mas o aumento repentino do uso diário de certos produtos que mantêm as pessoas seguras e previnem as doenças está piorando esse quadro. 

 

Trabalho fornecido por pesquisadores e voluntários será a base da nova colaboração 
Foto ONU Meio Ambiente
Trabalho fornecido por pesquisadores e voluntários será a base da nova colaboração 

3) A poluição por plástico pode ser reduzida em 80% 

 

Um relatório abrangente sobre resíduos de plástico foi publicado por The Pew Charitable Trusts e o think tank Systemiq. O documento é endossado pela diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen. Ela prevê que, se as medidas cabíveis não forem tomadas, a quantidade de plásticos despejados no oceano triplicará em 2040, passando de 11 milhões para 29 milhões toneladas por ano. 

 

No entanto, cerca de 80% da poluição produzida pelo plástico poderia ser eliminada simplesmente com a substituição de uma regulamentação inadequada: mudar o modelo de negócios e introduzir incentivos que levem à redução da produção de plásticos. 

 

Outras medidas recomendadas são projetar produtos e embalagens que possam ser reciclados mais facilmente e aumentar a coleta de lixo, especialmente em países de baixa renda. 

 

A poluição por plástico está totalmente descoordenada e é preciso unir esforços. 
ONU Meio Ambiente/Cyril Villemain
A poluição por plástico está totalmente descoordenada e é preciso unir esforços. 

4) Necessidade de uma aliança global 

 

Em uma análise sobre plásticos, sustentabilidade e desenvolvimento em julho passado, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento concluiu que as políticas comerciais globais também podem desempenhar um papel importante na redução da poluição. 

 

Embora na última década muitos países tenham introduzido regulamentações relacionadas à poluição causada por plásticos, um indicador da crescente preocupação com este tema de acordo com a análise da Unctad, para que essas políticas sejam realmente eficazes, são necessárias regras coordenadas e globais. 

 

Coke-Hamilton afirma que a maneira como os países têm usado suas políticas comerciais para combater a poluição por plástico está amplamente descoordenada, limitando a eficácia de seus esforços. 

 

Mais de 280 toneladas de resíduos de plástico são produzidas todos os dias apenas em Abidjan.
Unicef/UN0309359// Frank Dejongh
Mais de 280 toneladas de resíduos de plástico são produzidas todos os dias apenas em Abidjan.

5) Promover alternativas que respeitem o planeta e o emprego 

 

Embora a aplicação dessas medidas pudesse reduzir bastante a poluição por plásticos até 2040, o relatório reconhece que, mesmo no melhor dos casos, cinco milhões de toneladas de plástico continuariam a ser despejadas no oceano anualmente. 

 

Os autores do estudo consideram que, para enfrentar o problema de forma abrangente, seria necessário um aumento drástico em inovação e investimentos, que se traduziriam em avanços tecnológicos. 

 

A Unctad também pede que os governos promovam o uso de substâncias não tóxicas, biodegradáveis ou facilmente recicláveis, como fibras naturais, cascas de arroz e borracha natural. 

 

Como os países em desenvolvimento são fornecedores-chave desses produtos mais ecológicos, a substituição do plástico poderia trazer um benefício adicional: a criação de novos empregos. 

 

Bangladesh, por exemplo, é o principal fornecedor mundial de exportações de juta, enquanto a Tailândia e a Cote d’Ivoire também conhecida como Costa do Marfim respondem pela maioria das exportações de borracha natural. 

 

O vice-presidente para o meio ambiente da Pew, Tom Dillon disse que não existe uma solução única para lidar com a poluição do lixo plástico do oceano, somente uma ação rápida e coordenada poderá romper este círculo de poluição.  

 

Para ele, é possível investir num futuro com menos desperdício, melhores resultados de saúde, maior criação de empregos e um ambiente mais limpo e resistente para as pessoas e a natureza. 

 

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