FAO mostra que sistema alimentar gera mais de um terço das emissões de CO2
BR

9 março 2021

Brasil, China, Indonésia, Estados Unidos, União Europeia e Índia aparecem como os maiores emissores de gases que causam o efeito estufa; estudo da agência da ONU para Alimentação e Agricultura avaliou utilização do solo, da agricultura, refrigeração, embalagem e outras etapas numa abordagem holística.

Mais de um terço das emissões globais de dióxido de carbono é gerado por sistemas de alimentação.

Dentre os países e regiões campeões de emissões de gases que causam o efeito estufa pela ordem estão: China, Indonésia, Estados Unidos, Brasil, União Europeia e Índia.

Brasil está entre os países e regiões campeões de emissões de gases que causam o efeito estufa
Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo
Brasil está entre os países e regiões campeões de emissões de gases que causam o efeito estufa

Redução

Um estudo, realizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e pelo Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia, com sede na Itália, analisa dados desde 1990 sobre a relação da mudança climática e do setor alimentar.

A análise, publicada na revista especializada Nature Food, mediu emissões de CO2 causadas pelo uso do solo, da agricultura, da refrigeração, embalagem e outros passos da indústria alimentícia. A pesquisa revela que houve uma redução nas últimas três décadas, mesmo assim a cota de emissões permanece alta.

Em 2015, foram18 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera por essas atividades, o equivalente a 34%.  Em 1990, eram 44%. A informação é do banco de dados Edgard-Food. Em média, as emissões no sistema alimentar caíram um terço per capita ou 2 toneladas. 

Segundo o levantamento, cerca de dois terços das emissões do sistema global de alimentos vêm do setor agrícola
Foto ONU/Kibae Park
Segundo o levantamento, cerca de dois terços das emissões do sistema global de alimentos vêm do setor agrícola

Desmatamentos

Segundo o levantamento, cerca de dois terços das emissões do sistema global de alimentos vêm do setor agrícola. 

Esta taxa é mais alta nos países em desenvolvimento, mas também cai, significativamente, em passos com a redução de desmatamentos e o aumento de atividades como processamento de alimentos e refrigeração. Somente a refrigeração concentra metade da energia elétrica do setor de varejo e supermercados. Uma conta que levou as emissões somente na Europa a quadruplicarem desde 1990. Já a embalagem é responsável por 5,4% das emissões de CO2.

Nos estágios da produção estão incluídos os fertilizantes e outros itens que lideram a geração de emissões de CO2
Ouri Pota
Nos estágios da produção estão incluídos os fertilizantes e outros itens que lideram a geração de emissões de CO2

Gado e arroz

Nos estágios da produção estão incluídos os fertilizantes e outros itens que lideram a geração de emissões de CO2, respondendo por 39% do total. O uso da terra e outros fatores relacionados amontam 38% enquanto distribuição causa 29% das emissões.

O gás metano (CH4) responde por 35% das emissões geradas pelo sistema alimentar tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Na maior parte dos casos o gás vem do cultivo do gado e de arroz.

O levantamento acompanha as tendências do sistema de produção alimentar e tenta prever o comportamento do mercado. 

 Ferramenta da FAO também ajuda a entender como as mudanças no padrão de consumo e a evolução tecnológica podem impactar as emissões de CO2
FAO/Alessandra Benedetti
Ferramenta da FAO também ajuda a entender como as mudanças no padrão de consumo e a evolução tecnológica podem impactar as emissões de CO2

Panorama

A nova ferramenta, que se baseia em dados do uso do solo, FAOstat, fornece uma série de informações sobre vários setores. Ali, os analistas recebem um panorama mais claro sobre ações de mitigação e de transformação para formas sustentáveis de produção de alimentos.

O relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc, sobre Mudança Climática e Solo informa que o sistema alimentar lança entre 11 e 19 bilhões de toneladas de emissões de CO2 na atmosfera, todos os anos.

Para a FAO, o banco de dados, Edgar-Food representa um marco na melhor compreensão do sistema global de alimentação. A ferramenta também ajuda a entender como as mudanças no padrão de consumo e a evolução tecnológica podem impactar as emissões de CO2, e ainda como os pesquisadores podem utilizar a plataforma para propor estratégias de combate à mudança climática.

 

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