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Recuperação da Covid-19 e combate à crise climática devem ser inseparáveis BR

Uma criança está sentada sozinha em um banco à beira de um lago com juncos, olhando para a água em um dia nublado.
© Unicef/Peter Hove Olesen Mundo deve se recuperar da pandemia da Covid-19 com políticas claras e urgentes de combate à crise do clima

Recuperação da Covid-19 e combate à crise climática devem ser inseparáveis

Clima e Meio Ambiente

Ex-presidente da Assembleia Geral afirma que mudança do clima não é ameaça menos urgente que pandemia; María Fernanda Espinosa fez a declaração em artigo de opinião sobre cinco anos do aniversário do Acordo de Paris; ela lembra pedido de chefe da ONU a líderes internacionais sobre menos discurso e mais ação. 

O mundo deve se recuperar da pandemia da Covid-19 com políticas claras e urgentes de combate à crise do clima. 

Apesar de boas notícias como as promessas de cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, por parte de vários países, existe um longo caminho a percorrer para se alcançar as metas do Acordo de Paris sobre Mudança Climática, firmado em 2015.

A Sra. María Fernanda Espinosa Garcés, Presidente da Assembleia Geral, preside uma coletiva de imprensa final nas Nações Unidas.
ONU/Cia Pak. A ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa.

Prioridades

A opinião é da ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa. Em meados do mês passado, ela divulgou um artigo de opinião no jornal britânico The Guardian, sobre o tema, que foi uma de suas sete prioridades à frente da 73ª. Sessão da Assembleia Geral.

Espinosa, que representou o Equador na assinatura do Acordo de Paris, em 12 de dezembro de 2015, afirma que as Contribuições Nacionalmente Determinadas pelos Estados-membros, para cumprir as metas do tratado, têm sido irregulares, e em alguns casos baixas.

Ela elogiou o Reino Unido por fixar uma redução de pelo menos 68% das emissões de CO2 já para 2030 assim como Japão e Coreia do Sul, que planejam atingir a neutralidade em carbono até 2050, 10 anos antes do prazo indicado pela China.

A ex-presidente da Assembleia Geral defende mais esforços dos países ricos para com nações de rendas baixa e média na recuperação da Covid-19 e rumo à transição para uma economia de matriz limpa e sustentável.

Uma foto tirada de baixo para cima, mostrando o tronco de uma grande árvore e sua copa frondosa, com a luz do sol filtrando-se através dela.
Foto: FAO/Rudolf Hahn A ex-presidente diz que é hora de produzir mais e mais carros elétricos, reflorestar áreas inteiras e readequar a infraestrutura para fontes renováveis de energia

Amazônia

A primeira latino-americana a presidir a Assembleia Geral, geógrafa e especialista em estudos da Amazônia, acredita que a maior oportunidade de ação contra a crise climática pode ser a própria pandemia. 

Segundo ela, os recursos destinados à recuperação da Covid devem levar a uma aceleração do combate à crise climática, que é uma ameaça não menos urgente que o novo coronavírus.

Espinosa acredita que as medidas não são só necessárias, mas também populares. Para ela, se os governos estão investindo em reativar a economia, nada mais justo que construir sociedades mais verdes, sustentáveis e resilientes em vez de apostar em “frágeis modelos do passado”.

A ex-presidente diz que é hora de produzir mais e mais carros elétricos, reflorestar áreas inteiras e readequar a infraestrutura para fontes renováveis de energia.

A ativista climática Greta Thunberg está nos bastidores da Cúpula de Ação Climática da ONU de 2019 em Singapura, conversando com um homem de terno.
ONU/Mark Garten Greta Thunberg, ativista climática, com Anurag Saha Roy, vencedora do concurso Summer of Solutions Pitch, e o secretário-geral António Guterres nos bastidores da abertura do Encontro de Cúpula de Ação Climática da ONU 2019.

Secretário-geral da ONU

Durante o aniversário do Acordo de Paris, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos países que declarassem um estado de emergência até que todas as nações atinjam a neutralidade em carbono.

Guterres apelou ainda a uma maior solidariedade no financiamento desta transição com os países desenvolvidos aportando suas promessas de apoio às nações em desenvolvimento. 

Para o chefe da ONU, não combater a mudança climática é como seguir em “guerra contra a natureza, que por sua vez sempre revida com força e fúria”.

 

Um grande cardume de xaréus nada sobre um recife de coral, com raios de sol penetrando na água a partir da superfície.
Banco de Imagens Coral Reef/Tracey Jen Peixes nas Ilhas Salomão, um dos locais mais afetados pela mudanças climática

Indicadores verdes

María Fernanda Espinosa fala na criação de “indicadores verdes” com projetos de obras públicas para adaptação climática e o lançamento de redes de energia renovável em pequena escala.

Já numa escala maior, a ex-chanceler do Equador advoga pelo alívio da dívida externa como as propostas pelo G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, que inclui o Brasil.

Segundo ela, essas iniciativas deveriam ser ampliadas com espaço para que as nações em desenvolvimento possam atingir suas metas ambientais.

Fileiras de painéis solares fotovoltaicos em uma grande fazenda solar sob um céu azul com nuvens dispersas.
UN María Fernanda Espinosa fala na criação de “indicadores verdes” com projetos de obras públicas para adaptação climática e o lançamento de redes de energia renovável em pequena escala

Ações concretas 

Por último, Espinosa propõe que a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP-26, marcada para Glasgow, na Escócia, abrace um mecanismo específico para medir os esforços de recuperação da Covid-19 contra objetivos de ação climática de forma transparente, com um painel de controle na internet e acessível ao público para que o progresso possa ser monitorado por todos.

María Fernanda Espinosa lembrou o apelo do secretário-geral, António Guterres, durante a Cúpula de Ação Climática, em Nova Iorque, em 2019, quando o chefe da ONU pediu aos líderes internacionais que deixassem os discursos em casa e propusessem ações concretas.

Para ela, 2021 é o momento de se fazer exatamente isso: tomar ações para recuperar o mundo da pandemia e construir um planeta mais sustentável e com esperança para todos.