Guterres pede a líderes internacionais que declarem estado de emergência climática 
BR

12 dezembro 2020

Secretário-geral foi o primeiro a discursar na Cúpula de Ambição do Clima, neste sábado, para marcar o quinto aniversário do Acordo de Paris; António Guterres afirma que líderes internacionais enfrentam “crise de credibilidade” para tornar realidade o que prometeram no Acordo de Paris e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2015.

O chefe das Nações Unidas, António Guterres, apelou a líderes em todo o mundo para declarar um estado de emergência climática até que seus países alcancem a neutralidade em carbono.

Ele lembrou que a década passada foi a mais quente da história e que os níveis das emissões que causam o efeito estufa estão batendo todos os recordes.

Desastres naturais

Guterres disse que ninguém mais pode negar que a emergência climática ocorre, e citou exemplos de desastres naturais que se tornam cada vez mais frequentes e com efeitos arrasadores.

Ao todo, 38 países já declararam emergência climática. Segundo Guterres, é hora de todas as nações fazerem o mesmo.  Ele contou que ao organizar a Cúpula de Ambição do Clima com Reino Unido, França, Itália e Chile, ele quer ver compromissos e ações mais ambiciosos para salvar o planeta.

Foto ONU/Mark Garten
Vista da destruíção nas Bahamas causada pela passagem do pelo furacão Dorian.

O plano da ONU já para 2021 é lançar a Coalizão Global em Neutralidade de Carbono com o objetivo de atingir zero emissões que causam o efeito estufa, CO2.

E para Guterres, a questão não é mais de promessas, mas sim de credibilidade.

Maldivas e Barbados

O secretário-geral disse que existem o Acordo de Paris e a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável que listam as promessas de líderes internacionais sobre o tema, e que agora, esses mesmos líderes têm que cumprir o que assinaram como num teste de credibilidade.

As Nações Unidas afirmam que até o início de 2021, nações que representam dois terços da produção de CO2 terão acordado com a neutralidade em carbono.

Ele citou os exemplos das Maldivas e de Barbados que, com o devido apoio, poderão estar livre de carbono em 2030.

FAO/Prakash Singh
Maldivas são um Estado-ilha que enfrenta muitos desafios devido à mudança climática

A Cúpula deste sábado ocorre pouco depois do que seria a COP 26, a Conferência sobre Mudança Climática, marcada para a Escócia, em novembro deste ano, mas que teve que ser adiada por causa da pandemia.

Reino Unido e União Europeia

O secretário-geral afirmou que a comunidade científica já avisou que para atingir a rede zero carbono em 2050, o mundo precisa cortar as emissões em 45% comparado com os níveis de 2010.

Reino Unido e União Europeia já prometeram cortes de 68% e 55% até o fim desta década. 

Para Guterres, esses são exemplos que devem ser seguidos e os maiores poluentes de CO2 devem liderar este caminho.

Segundo ele, cada país, instituição financeira e empresa deve adotar planos para realizar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma rede de zero carbono até 2050.

1% mais rico

E com relação ao mundo desenvolvido, ele disse que é preciso liberar os US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento até 2020 para que essas economias possam planejar suas transições. Outra promessa que está bem longe de ser cumprida, segundo um relatório de especialistas convocados pela ONU.

Para Guterres, o setor financeiro e bancário deve pressionar seus investidores e não financiar investimentos em combustíveis fósseis. Segundo ele, o 1% mais rico do mundo cria 15% das emissões de CO2.

(Relembre o apelo do chefe da ONU sobre o tema nesta reportagem):

Ele voltou a dizer que a pandemia da Covid-19 é uma oportunidade de o mundo se reciclar e de se recuperar da crise de forma sustentável.

António Guterres acredita que a recuperação da pandemia e a ação climática são duas faces da mesma moeda.

 

 

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