O que é a Rede Zero Carbono e qual a sua importância?  
BR

4 dezembro 2020

A Rede Zero significa que não adicionaremos novas emissões à atmosfera. As emissões de dióxido de carbono, CO2, continuarão, mas serão equilibradas pela absorção de uma quantidade equivalente da atmosfera. 

Praticamente, cada país assinou o Acordo de Paris sobre Mudança Climática, que estabelece que a temperatura global permaneça1,5°C acima dos níveis da era pré-industrial. Mas se continuarmos lançando as emissões, que causam as mudanças climáticas na atmosfera, a temperatura continuará a subir bem além desta marca, que ameaça a vida a subsistência de todas as pessoas no mundo. 

Por isso, um maior número de nações estão se comprometendo a alcançar a neutralidade em carbono ou a “Rede Zero” em emissões dentro das próximas décadas. É uma grande tarefa, que requer ações ambiciosas que devem começar agora. 

O objetivo é chegar à Rede Zero até 2050, mas os países precisam mostrar como vão chegar lá. Os esforços para atingir a Rede Zero precisam ser complementados com adaptação e medidas de resiliência, e a mobilização do financiamento do clima para países em desenvolvimento. 

Como o mundo deve chegar à Rede Zero? 

A boa notícia é que a tecnologia para se chegar lá existe e não é cara. 

Um elemento-chave é transformar as economias com energia limpa, substituindo o carvão poluente e usinas de gás e combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia como fazendas que utilizam energia solar e eólica. 

Esta é uma receita para reduzir, de forma dramática, as emissões de CO2. Além disso, a energia renovável não é só mais limpa, mas também mais barata que combustíveis fósseis. 

Uma inteira mudança para o transporte elétrico gerado pela energia renovável também desempenharia um grande papel em reduzir as emissões com o bônus de cortar a poluição do ar nas maiores cidades do mundo. Os veículos elétricos estão se tornando, rapidamente, mais baratos e mais eficientes.  

E muitos países incluindo aqueles comprometidos com a Rede Zero propuseram planos para eliminar a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis. Outras emissões prejudiciais vêm do setor agrícola (os rebanhos produzem uma quantidade substancial de metano, um gás que causa o efeito estufa). Estes níveis podem ser reduzidos se for consumida menos carne e mais alimentos derivados de planta. Aqui também os sinais são promissores, como o aumento do interesse por esses alimentos que estão sendo vendidos em grandes redes internacionais de lojas e supermercados. 

O que acontecerá com as emissões remanescentes? 

A redução das emissões é extremamente importante. Para se alcançar a Rede Zero, nós precisamos encontrar formas de remover o carbono da atmosfera. Aqui, as soluções estão à disposição. E a mais importante: elas existem na natureza há milhares de anos.  

Essas soluções incluem florestas, manguezais, jazidas de turfa, solo e reservas de algas marinhas que são altamente eficientes em absorver o carbono. Por isso, a importância dos grandes esforços, feitos ao redor do mundo, para salvar as florestas, plantar árvores e reabilitar manguezais e jazidas de turfa assim como melhorar as técnicas do setor de agricultura. 

Quem é responsável para se alcançar a Rede Zero? 

Todos são responsáveis como indivíduos em termos de mudar de hábitos e de viver de forma mais sustentável e que cause menos danos ao planeta. Todos devem abraçar essas mudanças no estilo de vida que estão delineadas na campanha da ONU Act Now, ou Aja Agora. 

O setor privado também precisa agir e pode fazê-lo pelo Pacto Global que ajuda empresas a se alinhar aos objetivos ambientais e sociais da ONU. Está claro que a força principal para a mudança será feita em nível nacional de governo através de legislações e regulamentos que reduzam as emissões. 

Muitos governos estão caminhando na direção certa. Até 2021, os países que representam mais de 65% das emissões globais de dióxido de carbono e mais de 70% da economia mundial terão aderido a compromissos mais ambiciosos para a neutralidade em carbono. 

União Europeia, Japão e a Coreia do Sul juntos com mais de 110 países já prometeram neutralidade de carbono até 2050. A China diz que fará isso até 2060. 

Banco Mundial/Lundrim Aliu
Países que representam dois terços da poluição global de carbono estão comprometidos neutralidade em carbono

Alguns Fatos do Clima: 

  • A Terra está agora 1,1°C mais quente que no início da Revolução Industrial.  Não estamos no caminho para alcançar as metas acordadas no Acordo de Paris, em 2015, que estipularam a permanência do aumento da temperatura abaixo de 2 °C. 
  • A década mais quente ocorreu em 2010-2019. No ritmo atual de emissões de dióxido de carbono, a temperatura global poderá crescer entre 3 e 5 graus Celsius até o final deste século 
  • Para evitar o pior cenário de aquecimento (máxima de 1,5°C de aumento), o mundo terá que reduzir a produção com fontes fósseis em cerca de 6% ao ano entre 2020 e 2030. No entanto, os países estão planejando uma média anual de aumento de 2%. 
  • A ação climática não é um estouro no orçamento ou um destruidor para a economia. Na realidade, a adaptação para uma economia verde leva à criação de empregos. Este passo abriria caminho para gerar mais ganhos econômicos na casa dos US$ 26 trilhões até 2030 se comparado com o status quo do comércio hoje. Mas este valor pode ser ainda mais alto. 

Estes compromissos representam mais do que apenas declarações políticas?  

Estes compromissos são sinais importantes das boas intenções para se alcançar este objetivo e têm de ser apoiados por um plano rápido e ambicioso de ação. Um passo importante é providenciar planos detalhados de ação nas Contribuições Nacionalmente Determinadas ou NDCs na sigla em inglês. 

Elas definem ainda metas e ações para reduzir as emissões dentro de 5 a 10 anos. As NDCs são fundamentais para guiar os investimentos corretos e atrair o financiamento necessário. 

Até o momento, 186 Estados-partes do Acordo de Paris desenvolveram as Contribuições Nacionalmente Determinadas. Este ano, estes países devem submeter planos novos e atualizados demonstrando mais ambição e ação. 

A Rede Zero é realista? 

Sim. Especialmente se todos os países, cidades e instituições financeiras e empresas adotarem os planos realistas de transição para a rede zero de emissões até 2050.  

A recuperação da pandemia da Covid-19 pode ser um ponto importante e positivo de mudança. Quando os pacotes de estímulo fiscal começarem, haverá uma oportunidade genuína de promover os investimentos de energia renovável, edifícios inteligentes, transporte público verde e uma inteira série de outras medidas que podem ajudar a diminuir o ritmo da mudança climática. 

Mas nem todos os países têm o mesmo papel na promoção desta mudança,  certo? 

Sim. É absolutamente verdade. Os maiores emissores como os países do G-20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) que geram 80% das emissões de carbono, em particular, precisam aumentar os níveis atuais de ambição e ação. 

Ainda é preciso ter em mente que maiores esforços são necessários para construir resiliência em países vulneráveis e para as pessoas mais vulneráveis. Eles são os que menos contribuem para a mudança climática, mas são os que arcam com os piores impactos dela. Ações de resiliência e adaptação não recebem o financiamento necessário.  

Ainda que eles caminhem em direção à rede zero, os países desenvolvidos têm que produzir os compromissos assumidos de fornecer US$ 100 bilhões por ano para mitigação, adaptação e resiliência nas nações em desenvolvimento. 

OMM/Jordi Anon
ONU quer minimizar os impactos desastrosos da mudança climática.

 

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