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O Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, discursa em uma coletiva de imprensa no Palácio das Nações, em Genebra.

OMS: Mundo apresenta recorde de novos infectados desde que começou pandemia      BR

ONU/ Elma Okic Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus.

OMS: Mundo apresenta recorde de novos infectados desde que começou pandemia     

Saúde

Agência elogiou o Brasil pela queda de novos casos da Covid-19, mas pede vigilância; mundo teve 307.403 novas notificações em 24 horas; na segunda-feira, OMS somou 37.423.660 casos e mais de 1.074.817 mortes devido à doença.  

 A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou esta segunda-feira que o número de novos casos de Covid-19 está em “seu nível mais alto desde o início da pandemia”. 

Em declarações a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que cada um dos últimos quatro dias teve o maior número de casos relatados até o momento.  

Aumento de casos 

Uma enfermeira de jaleco branco e máscara facial usa um termômetro infravermelho para verificar a temperatura de uma idosa durante uma triagem de saúde para COVID-19.
Campanha contra a Covid-19 na Venezuela. Casos continuam aumentando na América Latina, by Ocha/Gema Cortes

Nas últimas 24 horas, o mundo teve 307,403 novos casos. No total, a agência notificou 37.423.660 infectados e 1.074.817 mortes devido à doença. 

Tedros realçou que em todo o mundo vem sendo observado um aumento de novos casos notificados, especialmente na Europa e nas Américas.  

O chefe da OMS também alertou contra a ideia da imunidade coletiva, quando existe uma grande porcentagem de indivíduos que fica imune a uma doença transmissível chegando a um nível em que sua disseminação é travada. 

Para Tedros, a chamada imunidade do rebanho contra o sarampo exige que cerca de 95% da população seja vacinada. Ele explicou que os 5% restantes serão protegidos pelo fato de que o sarampo não se espalhará entre os vacinados.  

Brasil  

Após explicar que se chega a uma imunidade protegendo as pessoas, e não as expondo ao vírus, Tedros explicou que a estratégia nunca foi usada para responder a um surto e muito menos a uma pandemia. Para ele, esta questão “é cientificamente e eticamente problemática.” 

Uma jovem etíope estuda em um livro em casa, com outras duas meninas estudando ao fundo durante a pandemia de COVID-19.
Menina na Etiópia estudando em casa durante pandemia de Covid-19, by Unicef/NahomTesfaye

Na sessão, os especialistas da OMS responderam a uma questão sobre a tendência de declínio de novos casos no Brasil, após ter recentemente atingido 5 milhões de infectados e 150 mil mortes.  

Ao comentar se esse seria o sinal de que o país teria atingido o pico da doença, o diretor do Programa de Emergências, Mike Ryan, destacou que o Brasil tem observado uma estabilização depois de atingir números “muito altos” da doença. 

O especialista lembrou ainda que muitas pessoas ainda estão contraindo a doença nas Américas. Embora a tendência geral seja de queda na América Central e do Sul, vários países estariam rumo à subida de casos da Covid-19. 

Alastramento  

Ryan felicitou os trabalhadores da linha de frente no Brasil por travarem um combate “muito longo, e que continua muito longo.” Ele elogiou as comunidades do país por continuarem atuando para tentar reduzir o alastramento da doença.  

Duas crianças, um menino e uma menina, caminham por uma rua estreita de uma cidade na Índia usando máscaras faciais durante a pandemia de COVID-19.
Covid-19 tornou-se uma emergência de desenvolvimento global sem precedentes, by Unicef/Vinay Panjwani

No entanto, o especialista realçou que após lições aprendidas com “duros golpes nos últimos meses”, o fato de que a doença está diminuindo não significa que não volte a piorar de forma rápida e em certas circunstâncias.  

O apelo de Ryan é que continue a vigilância em todos os países e que estes tenham “um alto índice de suspeita” com a diminuição dos números. Esta medida garantiria a detecção de casos em áreas onde podem estar ocorrendo no Brasil. 

O médico destacou ainda o fato de o Brasil ser um país com o tamanho de um continente, ao explicar que ter números em queda é um fator positivo, mas não reflete a situação de outras áreas. 

Ressurgimento 

As recomendações para as autoridades estaduais é que permaneçam vigilantes ao longo do tempo. Para Ryan “nenhum país está fora de perigo, mas todos precisam se manter vigilantes.” 

A epidemiologista Maria Van Kerkhove, que lidera a área de doenças infecciosas emergentes, reiterou o declínio observado no Brasil e em vários países, enquanto ocorre um ressurgimento em outras nações. 

A especialista realçou que à medida que muitos países se ajustam para a reabertura de economias, mantendo a transmissão em um nível baixo, é fundamental aplicar ferramentas para a vigilância ativa e em caso de novas descobertas. 

Um profissional de saúde, devidamente equipado com EPI, atende um paciente em uma clínica de febre no Nepal.
Unicef Nepal Funcionário de saúde faz teste de Covid-19 em uma clínica do distrito de Saptari, no Nepal.