12 outubro 2020

Agência elogiou o Brasil pela queda de novos casos da Covid-19, mas pede vigilância; mundo teve 307.403 novas notificações em 24 horas; na segunda-feira, OMS somou 37.423.660 casos e mais de 1.074.817 mortes devido à doença.  

 A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou esta segunda-feira que o número de novos casos de Covid-19 está em “seu nível mais alto desde o início da pandemia”. 

Em declarações a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que cada um dos últimos quatro dias teve o maior número de casos relatados até o momento.  

Aumento de casos 

Campanha contra a Covid-19 na Venezuela. Casos continuam aumentando na América Latina, by Ocha/Gema Cortes

Nas últimas 24 horas, o mundo teve 307,403 novos casos. No total, a agência notificou 37.423.660 infectados e 1.074.817 mortes devido à doença. 

Tedros realçou que em todo o mundo vem sendo observado um aumento de novos casos notificados, especialmente na Europa e nas Américas.  

O chefe da OMS também alertou contra a ideia da imunidade coletiva, quando existe uma grande porcentagem de indivíduos que fica imune a uma doença transmissível chegando a um nível em que sua disseminação é travada. 

Para Tedros, a chamada imunidade do rebanho contra o sarampo exige que cerca de 95% da população seja vacinada. Ele explicou que os 5% restantes serão protegidos pelo fato de que o sarampo não se espalhará entre os vacinados.  

Brasil  

Após explicar que se chega a uma imunidade protegendo as pessoas, e não as expondo ao vírus, Tedros explicou que a estratégia nunca foi usada para responder a um surto e muito menos a uma pandemia. Para ele, esta questão “é cientificamente e eticamente problemática.” 

Menina na Etiópia estudando em casa durante pandemia de Covid-19, by Unicef/NahomTesfaye

Na sessão, os especialistas da OMS responderam a uma questão sobre a tendência de declínio de novos casos no Brasil, após ter recentemente atingido 5 milhões de infectados e 150 mil mortes.  

Ao comentar se esse seria o sinal de que o país teria atingido o pico da doença, o diretor do Programa de Emergências, Mike Ryan, destacou que o Brasil tem observado uma estabilização depois de atingir números “muito altos” da doença. 

O especialista lembrou ainda que muitas pessoas ainda estão contraindo a doença nas Américas. Embora a tendência geral seja de queda na América Central e do Sul, vários países estariam rumo à subida de casos da Covid-19. 

Alastramento  

Ryan felicitou os trabalhadores da linha de frente no Brasil por travarem um combate “muito longo, e que continua muito longo.” Ele elogiou as comunidades do país por continuarem atuando para tentar reduzir o alastramento da doença.  

Covid-19 tornou-se uma emergência de desenvolvimento global sem precedentes, by Unicef/Vinay Panjwani

No entanto, o especialista realçou que após lições aprendidas com “duros golpes nos últimos meses”, o fato de que a doença está diminuindo não significa que não volte a piorar de forma rápida e em certas circunstâncias.  

O apelo de Ryan é que continue a vigilância em todos os países e que estes tenham “um alto índice de suspeita” com a diminuição dos números. Esta medida garantiria a detecção de casos em áreas onde podem estar ocorrendo no Brasil. 

O médico destacou ainda o fato de o Brasil ser um país com o tamanho de um continente, ao explicar que ter números em queda é um fator positivo, mas não reflete a situação de outras áreas. 

Ressurgimento 

As recomendações para as autoridades estaduais é que permaneçam vigilantes ao longo do tempo. Para Ryan “nenhum país está fora de perigo, mas todos precisam se manter vigilantes.” 

A epidemiologista Maria Van Kerkhove, que lidera a área de doenças infecciosas emergentes, reiterou o declínio observado no Brasil e em vários países, enquanto ocorre um ressurgimento em outras nações. 

A especialista realçou que à medida que muitos países se ajustam para a reabertura de economias, mantendo a transmissão em um nível baixo, é fundamental aplicar ferramentas para a vigilância ativa e em caso de novas descobertas. 

Unicef Nepal
Funcionário de saúde faz teste de Covid-19 em uma clínica do distrito de Saptari, no Nepal.

 

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