Américas devem melhorar acesso à saúde para afrodescendentes na pandemia  
BR

7 dezembro 2020

Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, cita desigualdades no acesso à saúde no Brasil, no Equador e nos Estados Unidos; braço regional da OMS adverte que “racismo sistêmico” na saúde pode representar barreiras no atendimento e causar desconfiança. 

A Covid-19 afeta de forma desproporcional os mais vulneráveis e em particular as pessoas de ascendência africana. A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, alertou para urgência em lidar com este desafio na região. 

Falando a jornalistas, em Washington, Carissa Etienne disse que esta questão é uma prioridade integrada em programas da agência, que é o braço da Organização Mundial da Saúde, OMS, nas Américas 

Comunidades  

O foco da Opas é recolher mais dados para uma prevenção e um atendimento direcionados. Outra meta é promover a participação em programas de saúde que atendam comunidades afrodescendentes e melhorias no acesso aos serviços. 

No Brasil, a taxa de mortalidade entre negros e pardos é 1,5 vez maior do que entre os cidadãos brancos. A Opas realça que as informações disponíveis  sobre a região ainda são limitadas. 

Acnur/Miguel Pachioni
Máscaras feitas por refugiados foram distribuídas em abrigos no Brasil para ajudar a combater a pandemia

 

No caso do Equador, homens afrodescendentes têm três vezes mais probabilidade de morrer de Covid-19 do que as mulheres. Esta população concentra mais metade da taxa de mortalidade pelo coronavírus do que homens mestiços equatorianos. 

Etienne citou dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, indicando que um negro tem 2,6 vezes mais probabilidade de contrair o vírus e o dobro de propensão de morrer de Covid-19 do que um branco. 

Saúde materna 

A chefe da Opas enfatizou que este tipo de disparidade não ocorre somente em relação à pandemia, mas se reflete em todo o espectro regional de saúde passando por doenças não transmissíveis e dados de saúde materna.  

Em relação às mulheres negras, elas  normalmente têm maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde que precisam. 

Cerca de 20% da população das Américas é afrodescendente. Eles são mais frequentes no Caribe e equivalem a mais da metade da população brasileira. Nos Estados Unidos representam13% da população e a cerca de 10% no Equador e no Panamá. 

OMS/D. Elombat
Desde o início desta pandemia, mais de 925 mil pessoas morreram nesta região

 

Para a chefe da Opas, o que ela chamou de  “racismo sistêmico” pode representar barreiras ao atendimento adequado, causar desconfiança nos profissionais de saúde e, em última análise, se refletir em piores resultados para pacientes negros em muitos países.  

Igualdade 

A diretora regional realçou que a pandemia expôs esta realidade ao apelar à urgência em lidar com o desafio num contexto de igualdade racial nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países. 

Em novembro, a região das Américas atingiu 6 milhões de novos casos notificados. Em um mês, o aumento foi de quase 30%. 

Para a chefe do Opas, essa alta contínua nos casos deve ser razão para uma ação rápida, especialmente em locais onde o número de novos infetados não foi controlado. Com o aproximar de uma futura vacina, ela lembra que medidas de saúde pública ajudaram a conter surtos anteriores como confinamento, a prática do distanciamento físico e uso de máscaras. 

Proteção e apoio 

Etienne realça que é essencial que os afrodescendentes tenham meios para se proteger da pandemia, especialmente sistemas de proteção e apoio social necessários para aderir às medidas de saúde pública. 

A representante destaca que estes estão entre os trabalhadores essenciais que abastecem sistemas de saneamento, administram o transporte público, cuidam de idosos e doentes.  

A chefe da Opas disse que ainda que os empregos, muitas vezes no setor informal, tornam mais difícil trabalhar à distância, cumprir o distanciamento social ou folgas, havendo maior probabilidade de infeção e maior risco de morte pelo vírus. 

Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo
Medidas de saúde pública que ajudaram a conter surtos anteriores incluem o confinamento

 

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