Técnicas nucleares ajudam a combater malária, dengue e zika em todo o mundo 
BR

24 agosto 2020

Agência Internacional de Energia Atômica diz que novos métodos facilitam diagnóstico, tratamento e controle das populações de mosquitos que transmitem as doenças; casos de dengue estão aumentando em vários países.

Especialistas em todo o mundo estão usando técnicas nucleares para detecção e controle de doenças como malária, dengue e zika, informou a Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea. 

Estas doenças, que são disseminadas por várias espécies de mosquitos, causam problemas para milhões de pessoas em todo o mundo e muitas vezes são fatais. 

O mosquito aedes aegypti transmite doenças como dengue e zika. , by Foto: Aiea

Zika 

Um dos métodos mais precisos e usados ​​para detectar os vírus da dengue e zika tem o nome RT-PCR. A Aiea treinou e equipou especialistas para usar essa técnica.  

Em 2015 e 2016, por exemplo, quando houve um novo surto de uma doença transmitida por mosquitos, os médicos não tinham certeza de sua origem, mas a RT-PCR ajudou a determinar que se tratava da zika e não de outra doença como a dengue.  

Durante esse período, muitos países receberam apoio da Aiea, em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, no uso deste método. 

Dengue 

Nos últimos anos, o surto de zika foi controlado, mas a dengue continua a ser um problema crescente. 

Alguns países da América Latina e do Caribe relataram aumentos de até três vezes no número em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado. 

Enquanto isso, na Ásia, mais de 80 mil notificações foram relatadas em Bangladesh, criando o maior surto de dengue já registrado no país. 

A pandemia do novo coronavírus veio piorar a situação. A chefe da Seção de Medicina Nuclear e Diagnóstico por Imagem da Aiea, Diana Paez, disse que “a combinação de dengue e Covid-19 sobrecarregou muitos sistemas de saúde.” 

Alguns países da América Latina e do Caribe relataram aumentos de até três vezes no número em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado

Recursos 

Além de usar técnicas nucleares em testes de dengue, os cientistas também procuram formas de reduzir a população do mosquito aedes, o vetor do vírus.  

Uma opção usa radiação para tornar o inseto estéril, uma técnica conhecida como SIT. Esses animais são depois liberados na natureza, reduzindo a população.  

O especialista da Divisão Conjunta FAO e Aiea para Técnicas Nucleares, Rafael Argilés Herrero, diz que a técnica “foi implementada com sucesso contra várias pragas de insetos de importância agrícola e agora está sendo adaptada para uso contra os mosquitos.” 

Segundo ele, “o método é muito específico para as espécies-alvo e não tem impacto em outros organismos vivos ou no meio ambiente.” 

Apoio 

As duas agências têm apoiado a pesquisa nesta área. 

Drones foram testados, com sucesso, para liberar mosquitos esterilizados na natureza, Foto: WeRobotics

Em 2016, foi lançado um projeto de quatro anos para ajudar os países da América Latina e Caribe. Em 2019, o Bangladesh pediu ajuda para implementar uma iniciativa de SIT para reduzir os mosquitos transmissores da dengue. 

Ásia e Europa também receberam projetos. No total, testes piloto foram iniciados em 13 países, com alguns atingindo até 95% de supressão. 

Malária 

A malária é transmitida através de outro mosquito, o anopheles. Esta doença ameaça aproximadamente metade da população mundial. 

Técnicas nucleares são usadas em várias fases do diagnóstico e tratamento da doença. 

O teste de reação em cadeia da polimerase, conhecido como PCR, por exemplo, é capaz de detectar a malária quando existem níveis baixos de parasitas ou quando outras infecções estão presentes. Técnicas de imagens, como raios-X e tomografia computadorizada, também ajudam os médicos a avaliar as complicações clínicas. 

A técnica SIT também pode reduzir a população deste tipo de mosquitos. Liberar esses insetos frágeis de maneira eficaz tem sido um dos desafios, mas em junho de 2020, os pesquisadores descobriram que o uso de drones para liberar machos esterilizados era mais barato e rápido e menos prejudicial que utilizar aviões ou liberá-los manualmente em terra. 

 

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