Drone, testado no Brasil, demonstra eficácia no combate a doenças transmitidas por mosquitos
BR

9 janeiro 2021

Protótipo pode transportar até 50 mil mosquitos estéreis por voo para reduzir população de insetos; doenças propagadas por vetores respondem por 17% de infecções levando a mais de 1 milhão de mortes anualmente.

O uso de drones pode aumentar a eficácia e reduzir custos na aplicação de uma técnica nuclear contra doenças transmitidas por mosquitos. A constatação é de um estudo da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.

A descoberta pode levar à implantação em larga escala desse método para controlar os vetores de doenças como dengue, febre amarela e Zika.

Aiea/Dean Calma
Mosquitos macho nos laboratórios da Aiea, antes de serem esterilizados usando radiação.

Mosquitos

O estudo, publicado na revista Science Robotics, testou o uso de um drone para liberar mosquitos estéreis, uma técnica usada há 60 anos no combate a pragas agrícolas como a mosca da fruta do Mediterrâneo e a mosca tsé-tsé.

A técnica, conhecida como SIT, usa radiação para esterilizar insetos machos que são liberados para acasalar com fêmeas selvagens. Como não produzem descendentes, a população de insetos diminui com o tempo.

O método requer a liberação uniforme de um grande número de insetos em boas condições. O protótipo do drone, testado em abril de 2018, pode transportar até 50 mil mosquitos estéreis por voo, liberando-os sem perda de qualidade em mais de 20 hectares de terra em 10 minutos.

N. Culbert/Aiea
Romeo, um dos drones usados para transportar mosquitos

Importância

Em comunicado, o autor principal do estudo, Jeremy Bouyer, disse que “as descobertas representam um grande avanço para a expansão do uso de SIT contra mosquitos.”

Com pernas longas e frágeis e asas delicadas, os mosquitos podem ser facilmente danificados usando métodos de liberação de ar como aviões. Por isso, até agora, os mosquitos eram espalhados por meios terrestres, que são caros, trabalhosos e demorados.

Segundo o novo estudo, as áreas cobertas por um voo de drone de 10 minutos, por exemplo, exigiriam duas horas e o dobro de recursos humanos se feito por terra. A inovação permite uma grande redução nos custos operacionais, mantendo a qualidade do inseto estéril.

Aiea/FAO
Sede da Aiea em Viena, na Áustria.

Doenças

A Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que as doenças transmitidas por vetores respondem por 17% das infecções, levando a mais de 1 milhão de mortes a cada ano, mas os países geralmente carecem de recursos para programas de erradicação de mosquitos em grande escala.

No estudo, Eric Rasmussen, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Washington, diz que “esta nova técnica é barata o suficiente para permitir uma redução na miséria de doenças transmitidas por mosquitos em quase qualquer lugar.”

A Aiea desenvolveu o mecanismo em parceria com a Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, e o grupo WeRobotics.

Opas/OMS
A Aiea lembra que os mosquitos, que transmitem as doenças, estão cada vez mais resistentes a inseticidas

Juazeiro da Bahia

O teste de campo foi realizado na cidade de Juazeiro, no estado da Bahia, no nordeste do Brasil, em colaboração com o programa Moscamed.
A Aiea e seus parceiros agora trabalham para desenvolver uma versão menor do drone, que pode transportar cerca de 30 mil mosquitos.

Isso é importante para cumprir regulamentações para voar com drones em áreas urbanas, onde os mosquitos Aedes, que transmitem doenças, tendem a se concentrar.

A agência também está trabalhando para refinar métodos para separar insetos machos e fêmeas durante o processo de criação. Essa etapa do processo ainda é feita manualmente, o que aumenta os custos.

 

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