Tráfico de medicamentos e produtos médicos falsificados sobem durante pandemia
BR

8 julho 2020

Estudo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime mostra que grupos criminosos internacionais usam falhas criadas pela crise para obter lucro; agência diz que fraudes devem continuar mesmo após chegada de vacina; relatório lista casos de golpe em vários países incluindo Alemanha, França, Tailândia e Rússia.

A pandemia do novo coronavírus levou a uma demanda global por medicamentos e equipamentos hospitalares. Com isso, aumentaram também casos de tráfico de produtos e falsificação de remédios. A informação consta de um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc.

No estudo, divulgado nesta quarta-feira, em Viena, a agência chama a atenção para os riscos de saúde pública e outras consequências.

Oportunidade

Em nota, a diretora-executiva do Unodc, Ghada Waly, disse que “a saúde e a vida das pessoas estão em risco por causa da ação de criminosos que exploram a crise para obter lucro.” Segundo ela, essas pessoas estão usando a ansiedade gerada pela crise e a demanda criada por mais equipamentos de proteção e medicamentos.

Waly contou que grupos transnacionais de crime organizado se aproveitam das lacunas na regulamentação e supervisão. O Unodc diz que é preciso “ajudar os países a melhorar a cooperação, fechar brechas, fortalecer a capacidade da justiça criminal e aumentar a consciência do público.”

Riscos

O relatório também destaca problemas nas estruturas regulatórias.

Com a chegada do vírus, os criminosos adaptaram-se rapidamente para explorar vulnerabilidades nos sistemas de saúde e justiça criminal. Segundo o Unodc, fraudes, golpes e apreensões, envolvendo a fabricação e o tráfico desses produtos, continuarão se nada for feito.

Com a pandemia também aumentaram os casos de fraude para roubar dados de pessoas, incluindo manipulação de sites corporativos, para convencer os compradores de que a fonte é real.

A agência citou um golpe contra autoridades de saúde da Alemanha, que compraram um lote de máscaras cirúrgicas por 15 milhões de euros de um site falsificado e que se apresentava como empresas da Alemanha e da Suíça. Na realidade, a página era uma imitação criminosa de uma empresa verdadeira, com sede na Espanha.

Termômetros falsos e vírus por internet

Um golpe similar ocorreu na Tailândia, onde autoridades apreenderam 3,3 mil termômetros traficados através de outros três países. A Itália também teve que suspender a entrega de termômetros que não atendiam às exigências de segurança da União Europeia.

Com a pandemia, subiram ainda casos de ataques cibernéticos com vírus e malware, que são enviados em links para roubar a informação dos usuários atacados, e invadir computadores, celulares e dispositivos da vítima.

No Reino Unido, o Centro de Segurança Cibernética informou ter removido mais de 2 mil golpes na internet que envolviam a Covid-19 e venda fraudulenta, somente no mês de março. Ao todo, foram descobertas 471 lojas falsas.

Vendedor de rua vende máscaras em mercado no Quênia
Venda de máscaras de proteção no Quênia, Banco Mundial/Sambrian Mbaabu

A França conseguiu detectar 70 páginas fraudulentas de venda de cloroquina em abril. 

Já nos Estados Unidos, os golpes usando a Covid-19 pela internet custaram cerca de US$ 13,4 milhões de janeiro a meados de abril e afetaram mais de 18 mil consumidores.

Rússia e Bálcãs

Nos Emirados Árabes Unidos, ocorreram 1.541 ataques cibernéticos relacionados à pandemia com 775 ameaças utilizando malware, 621 ataques por e-mail e 145 com endereços de páginas falsificados.

A polícia afirma que muitos grupos de crime organizado no oeste dos Bálcãs praticam crimes pela internet como lavagem de dinheiro, produção de remédios falsificados e de equipamentos hospitalares de proteção. 

O relatório do Unodc também notificou casos de respiradores falsificados na Rússia, que iniciou um inquérito sobre o tema. O mesmo ocorreu no Reino Unido, onde alguns equipamentos estão abaixo do padrão de qualidade e representam perigo. Um caso similar foi registrado na Bósnia-Herzegovina.

Vacina

O Unodc acredita que os grupos criminosos mudarão seu comportamento ao longo da pandemia. Quando uma vacina for desenvolvida, eles deverão avançar com os golpes para tentar vender equipamentos de proteção e para traficar lotes de imunização. A agência estima ainda um aumento de novos ataques cibernéticos.

Iniciativa global aumentará a probabilidade de se produzir uma vacina de sucesso.
Quando vacina for anunciada, deverão surgir fraudes relacionadas, Opas Barbados/Brenda Lashley

A pesquisa recomenda reforçar regulações e fortalecer a punição de infratores. Para o Unodc, a saída está num enfrentamento global que criminalize a fabricação e tráfico desses produtos em todos os países. 

Ao mesmo tempo, os Estados-membros devem continuar apostando na prevenção, detecção e respostas a esses crimes fortalecendo o trabalho de investigadores e de autoridades no setor.

OMS e Estados Unidos

Numa nota separada sobre a crise global gerada pela Covid-19, o secretário-geral das Nações Unidas confirmou o recebimento da notificação oficial dos Estados Unidos de se retirarem  da Organização Mundial da Saúde, OMS, como país-membro.

A comunicação foi enviada pelo governo do presidente Donald Trump.

O país é membro da OMS desde 1948. Em nota, o porta-voz de António Guterres explicou os passos que devem ser dados, com base nas regras acordadas pela OMS e pelos Estados Unidos, e que incluem o aviso prévio com prazo de 12 meses para saída da organização e a quitação de suas obrigações financeiras para com a agência.

 

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