Conselho de Segurança reúne-se sobre esforços da paz na Região do Sahel
BR

5 junho 2020

Subsecretário-geral de Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, diz que ações contra atos extremistas e pobreza continuam apesar de desafios impostos pela pandemia de Covid-19; área tem 20 milhões de pessoas sob risco de insegurança alimentar e 5 milhões de crianças sofrendo de má-nutrição aguda; ONU coopera com Força Conjunta Internacional G-5 Sahel.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu, nesta sexta-feira, a situação na região do Sahel, na África.  

O chefe do Departamento de Operações de Paz, Jean Pierre-Lacroix, disse que os últimos seis meses têm sido de desafios para as cinco nações do G-5 Sahel, a Força Conjunta, mobilizada para ajudar a restabelecer a estabilidade da região.

Pastores guiam seus rebanhos no Niger, no Sahel. Foto: FAO/Giulio Napolitano

Perda diária

O Sahel G-5 é formado por Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger.

Lacroix contou que terroristas e outros grupos armados estão utilizando a pandemia do novo coronavírus para minar a autoridade do Estado e dos governos. O extremismo causa perda diária de vidas, abala escolas e impede que muitos tenham acesso a serviços básicos de saúde.

Ele afirma que a reconstrução dessas comunidades afetadas precisará de vários anos, e por isso a ONU não pode ficar passiva frente aos danos causados.

Na reunião virtual, da qual participaram os comandantes das Missão de paz no Mali, Minusma, e outras operações, Lacroix pediu um reforço no apoio à força conjunta do Sahel. 

Avanços

Uma estrutura de comando em Niamey integra as novas ações de reforço para cooperar com as forças internacionais. A operação militar conjunta, Sama, está obtendo avanços, segundo a ONU.

A União Europeia está ajudando a financiar alguns itens como água, combustíveis e alimentos, mas para ampliar as operações de cooperação com o G-5, a Minusma precisaria de uma revisão do mandato pelo Conselho de Segurança.

Em seu relatório sobre o tema, o secretário-geral, António Guterres, pediu um pacote abrangente que seria financiado pelos países-membros através de suas contribuições à ONU.  Para Guterres, esse pacote levaria a um apoio sustentável das operações.

Foto ONU/Gema Cortes
Boinas-azuis do Senegal em exercícios da Minusma

Processo de paz

Além disso, com a medida, a Minusma também poderia se focar exclusivamente no apoio ao processo de paz no Mali e na estabilização política do centro do país africano.

A ONU acredita que a Força Conjunta G-5 Sahel está no caminho certo, mas ainda há um longo percurso a fazer. 

A região deve investir em melhorias de governança, erradicação da pobreza e na proteção dos direitos humanos para todos.

Pelo menos 20 milhões de pessoas na área do Sahel estão sob risco de insegurança alimentar. Quase 5 milhões de crianças estão enfrentando má nutrição aguda.

A União Africana e organizações regionais continuam levando apoio político à luta do G-5 Sahel contra a pobreza e o terrorismo.
 

 

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