Moçambicanos revelam como trabalham em casa em crise do coronavírus  
BR

6 abril 2020

Plataformas digitais e ferramentas online dominam a rotina de jornalistas, artistas e professores; autoridades realizaram centenas de testes  no país que tem pelo menos uma pessoa recuperada da covid-19.

Cruzar os braços perante a crise da covid-19 não é opção para vários trabalhadores. Em Moçambique, a ONU News procurou saber como acontece o  ajuste à rotina laboral para diminuir a velocidade de infeção do novo coronavírus

O que todos os entrevistados têm em comum é o maior contacto com a realidade virtual: plataformas digitais e ferramentas online para ajudar a realizar tarefas como dar aulas, escrever ou comunicar com o público.

Qualidade

David Bamo é profissional de rádio e televisão e diz que seu trabalho não parou.
David Bamo é profissional de rádio e televisão e diz que seu trabalho não parou. , by Arquivo pessoal

Mel Matsinhe contou à ONU News, em Maputo, que ainda dá aulas de piano e escreve obras literárias. Ela destaca que teve que reinventar o dia-a-dia de trabalho para continuar a exercer esses ofícios.

“Recorri ao Skype e assim tenho estado a dar aulas. Através do Skype é desafiador, sobretudo tendo em conta a qualidade da internet e o fato de que nem todos os alunos interessados têm acesso a um bom telefone ou computador. Então tem sido um desafio, mas consigo trabalhar”.

De acordo com as autoridades, o número de casos confirmados de covid-19 chega a 10, sem nenhuma morte. Pelo menos 350  testes foram realizados no país, que já teve pelo menos uma pessoa recuperada da doença. 

Em comparação com as outras nações de língua portuguesa em África, Moçambique é o segundo país com o maior número de infectados, depois da Guiné-Bissau, com pelo menos 18 casos confirmados. 

Ambientes

O trabalho à distância foi determinado pelas autoridades e empresas tendo em vista a menor circulação ou concentração de pessoas nos ambientes laborais. A meta é  contribuir para uma redução na velocidade do contágio do vírus. 

David Bamo é profissional de rádio e televisão e diz que seu trabalho não parou. As ferramentas online e a abertura das pessoas ao maior uso de telemóveis ajudam.

 

“A consciência crescente de que o telemóvel é um instrumento muito importante para comunicar e divulgar suas ações me permite, por exemplo enviar pergunta para as fontes e estas respondem as questões através de um vídeo. Depois nos enviam. Nós, na televisão, usamos este mesmo vídeo. Portanto, estes são os canais hoje em dia para continuar a fazer um jornalismo digital assente naquilo que é presente e futuro da comunicação social, a net”. 

Textos

Já Frederico Jamisse, editor cultural do semanário Domingo, disse este trabalho é feito a partir de casa, através de recursos digitais disponíveis  como aplicativos. 

“As ferramentas tecnológicas permitem-nos hoje fazer o trabalho a partir de casa. Tenho o meu computador, estou a trabalhar a partir de casa. Consigo interagir com várias pessoas, ter várias entrevistas e, que depois transformo em texto e posteriormente envio para o jornal onde está o editor para fazer a recepção dos textos”.

Nem todos os trabalhadores se adaptam ao desafio de ajustar a rotina laboral. Um deles é Gil Gune, jornalista da rádio universitária A politécnica. Ele diz que em dias de covid-19, o trabalho não tem sido fácil em termos de acesso às fontes.

“Tem sido meio preocupante para poder achar as fontes. Pode parecer fácil, mas é difícil. Porque difícil? Porque não podemos ter contato direto com as mesmas. Entretanto, nesta época destacamos o uso das plataformas digitais (as redes sociais). Fazemos entrevistas também ao telefone sob o ponto de vista das chamadas. Podemos realizar entrevistas de uma forma indireta para poder evitar a propagação da covid-19”.

Prevenção

Xixel Langa, cantora e compositora, diz lamentar a situação da covid-19, mas também recorrer às ferramentas virtuais para não ficar sem trabalhar.

“Esta forma on-line de fazer as coisas tem ajudado bastante. Tem sido muito eficaz principalmente quando envolve empresários, patrocinadores que apoiam o artista e dão um “cachet” sustentável que favorece o artista para sobreviver durante esta época de quarentena, de isolamento social. Para mim é muito importante, eu estou adorar fazer isto, vou fazer sempre, mesmo depois deste pesadelo todo acabar. Portanto não fiquem atrás, assistam nossos shows on-line e vale a pena estar com os artistas nesta fase difícil mas com entretenimento em casa com toda família”.

Já passa uma semana após o início do estado de emergência para apertar as medidas de prevenção em Moçambique. Esta declaração reforçou a aplicação de  recomendações como lavagem das mãos e distanciamento físico da Organização Mundial da Saúde, OMS.

Para exercer estas profissões há ainda questões como segurança física e psicológica, precauções sanitárias, equipamento de proteção e liberdade de expressão para o caso do jornalismo.

Stress

Além das preocupações com a segurança física, os profissionais de escrita e de artes estão entre os que enfrentam um nível considerável estresse psicológico, pressão de cobrir a situação em constante evolução e questões de segurança no emprego.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, deve lançar iniciativas nas próximas semanas sobre a segurança de trabalhadores. Essas ações foram desenvolvidas com parceiros para tratar de preocupações profissionais em momentos de trabalho em isolamento.

Arquivo Pessoal
Gil Gune, jornalista da rádio universitária APolitécnica, relata dificuldade no acesso às fontes.
Arquivo Pessoal

 

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