Guterres lidera tributo das Nações Unidas às vítimas do terremoto de 2010 no Haiti
BR

17 janeiro 2020

Cerimônia reuniu funcionários da ONU em Nova Iorque; tremor de 7 graus na escala Richter matou mais de 222 mil pessoas incluindo 102 funcionários das Nações Unidas; lista de boinas-azuis, mortos no sismo, inclui 20 brasileiros que serviam na Missão da ONU, Minustah.

Na abertura da cerimônia em memória das vítimas do terremoto do Haiti, ocorrido há 10 anos, o secretário-geral da ONU lembrou as mais de 222 mil pessoas que perderam suas vidas.  António Guterres prestou solidariedade aos milhares de haitianos que “continuam a sofrer os impactos da tragédia”. 

O tributo reuniu funcionários da organização, embaixadores dos países que apoiavam a Missão da ONU no Haiti, Minustah, que perdeu 102 funcionários, e outros participantes.

Construção do monumento produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época do terremoto.
Construção do monumento produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época do terremoto. Foto: ONU/Mark Garten

Confiança

O chefe da ONU lembrou que “o terremoto ocorreu, quando muitos haitianos estavam começando um novo ano com um senso de otimismo renovado e confiança no futuro de seu país.” Ele acrescentou que “em alguns segundos, essas esperanças se transformaram em pó.”

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, deitou por terra o Hotel Christopher, sede da ONU no país caribenho.

Dentre os funcionários da ONU mortos no terremoto estava o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. Ao todo, 20 brasileiros perderam a vida.

Em seu discurso descreveu como “cidades foram destruídas, centenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões de vidas mudadas para sempre.” Ele disse que nunca esquecerá “o choque e a tristeza em todo o mundo e nas Nações Unidas quando a escala da tragédia se tornou clara.”

Operação Humanitária

Nesta sexta-feira, Guterres destacou como “uma operação humanitária sem precedentes salvou vidas nos primeiros dias e semanas, à medida que organizações de ajuda internacional trabalhavam com haitianos e parceiros locais.” Guterres também citou que “o terremoto criou sérias novas ameaças à segurança, à estabilidade e à prosperidade do Haiti” e que a recuperação das muitas feridas físicas, emocionais, sociais e financeiras “desafiaria qualquer nação”.

Segundo ele, “após um dos dias mais sombrios de sua história, o Haiti recorreu à coragem e determinação de seu povo e à assistência de muitos amigos.” Entre os muitos desafios, Guterres disse que “as Nações Unidas lamentam profundamente a perda de vidas e o sofrimento causados ​​pela epidemia de cólera” e citou o “progresso significativo que foi feito para eliminar a doença.”

O secretário-geral adicionou que a ONU está comprometida “com a resolução de casos pendentes de exploração e abuso sexuais.” Para ele, atualmente, “a insegurança e o lento crescimento econômico estão contribuindo para o aumento das tensões sociais e a deterioração da situação humanitária.”

Guterres fez um apelo para que os haitianos “resolvam suas diferenças através do diálogo e resistam a qualquer escalada que possa reverter os ganhos da década passada.” Ele reiterou que “o Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti e as 19 agências, fundos e programas no país continuarão a trabalhar em parceria com o povo haitiano em seu caminho para a recuperação e a prosperidade.”

A capital do Haiti, Porto Príncipe, danificada pelo terremoto de janeiro de 2010.
ONU/Marco Dormino
A capital do Haiti, Porto Príncipe, danificada pelo terremoto de janeiro de 2010.

Monumento

Antes da cerimônia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, inaugurou o monumento, em inglês “A Breath” em memória dos que perderam a vida no terremoto, localizado nos jardins da ONU.

O monumento veio do Haiti e foi produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época.

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, matou mais de 222 mil pessoas incluindo 102 trabalhadores da ONU.
Minustah/Marco Dormino
Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, matou mais de 222 mil pessoas incluindo 102 trabalhadores da ONU.

Resiliência

Segundo o secretário-geral António Guterres, na última década, “o Haiti se valeu da resiliência do seu povo e do apoio de muitos amigos para vencer este desastre.”

Ele afirmou que o Haiti “está se esforçando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o reforço das instituições tão cruciais para o bem-estar e para a prosperidade do seu povo.”  

O secretário-geral aproveitou a data para renovar “o compromisso das Nações Unidas em ajudar o Haiti e o seu povo na construção de um futuro melhor.” Ele expressou seus sentimentos a todos que perderam familiares, amigos e entes queridos no terremoto, há 10 anos. 

 

 

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