Mais de um quarto dos migrantes e refugiados que chegaram à Europa pelo Mediterrâneo são crianças
BR

14 outubro 2019

Novo relatório afirma que cerca de 80,8 mil pessoas chegaram ao continente europeu atravessando o Mediterrâneo; muitas das crianças viajam sem os pais; países devem acabar com detenção de menores.

Cerca de 80,8 mil pessoas chegaram à Europa pelas rotas do mar Mediterrâneo entre janeiro a setembro deste ano, segundo o novo relatório “Viagens Desesperadas” da Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

A publicação revela que o número é 21% a menos em comparação aos 102,7 mil migrantes e refugiados do mesmo período de 2018. As crianças correspondem a mais de um quarto das pessoas que chegaram ao continente europeu, e muitas delas viajando sem os pais.

Desde 2014, mais de 15 mil pessoas perderam a vida tentando a travessia no mar Mediterrâneo. Foto: Frontex/Francesco Malavolta

Esforços

A agência quer mais esforços dos Estados da região para proteger as crianças refugiadas e migrantes “que sofreram não apenas nas viagens difíceis e perigosas, mas continuam enfrentando riscos e dificuldades estando no continente.”

Entre as dificuldades enfrentadas pelos menores estão acomodações inseguras, registro incorreto de adultos e falta de cuidados adequados.

Para o diretor do Escritório do Acnur na Europa, Pascale Moreau, esses menores estão fora de casa há meses ou anos. Ele destaca que as crianças teriam passado "por abusos horríveis durante as viagens, mas seu sofrimento não termina na fronteira".

O representante destacou que em toda a Europa, as crianças desacompanhadas, em particular, são muitas vezes alojadas em grandes centros com supervisão mínima. Essa situação coloca o grupo em risco de mais abusos, violência e sofrimento psicológico aumentando o risco de “continuarem nessa situação ou que desapareçam”.

Chegadas

De acordo com o relatório, a Grécia recebeu a maioria das pessoas que chegaram à região do Mediterrâneo este ano. O total superou o da Espanha, Itália, Malta e Chipre juntos.

Mais de 12,9 mil crianças chegaram ao território grego por via marítima, incluindo quase 2,1 mil menores desacompanhados ou separados. Muitas destas são de países como Afeganistão, Síria e outras nações que são marcadas por conflitos e pela violência.

Nos centros de recepção da Grécia, as condições encontradas incluem superlotação e situações que prejudicam a saúde. Nas ilhas gregas do mar Egeu, essas condições são consideradas “extremamente preocupantes”.

As autoridades gregas tomaram medidas para aliviar a superlotação, que o Acnur considera "exemplos positivos". Estas incluem a assistência social comunitária.

No entanto, a agência destaca que a maioria das crianças desacompanhadas ainda estava em centros de acomodação inadequados em finais de setembro.  Para o Acnur, as condições locais são de “extremo risco”.

© Unicef/Ashley Gilbertson
Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.

Europa

O pedido feito aos países da Europa é que tenham um “gesto de solidariedade” abrindo novos locais de transferência. Outro apelo é que as nações do bloco acelerem esse processo para as crianças elegíveis para que estas se juntem aos membros da família.

O relatório lembra que ainda é preciso fazer mais para responder a alguns desafios enfrentados pelas crianças, embora tenha havido muitos passos positivos em todo o continente para melhorar a proteção.

O Acnur também recomenda o fim das detenções de crianças migrantes, a nomeação de pessoas responsáveis ​​ou assistentes sociais que sejam treinados e que seja garantida educação a crianças refugiadas e migrantes.

 O relatório recomenda que os países apliquem métodos mais abrangentes e baseados na experiência em vários setores para avaliar a idade de uma criança.

Com estas propostas, a expectativa do Acnur é que haja maior proteção das crianças em movimento e que melhore a preparação para atender os interesses desse grupo que podem incluir “soluções fora da Europa.”

 

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