Acnur quer fim da gestão “barco a barco” das pessoas resgatadas no Mediterrâneo

2 janeiro 2019

Agência pretende que, em 2019, os locais para desembarque de pessoas resgatadas sejam mais claros e previsíveis na Europa; ação de navios de busca e salvamento operados por ONGs ajudaram a evitar muitas mortes no percurso para o continente.

A Agência de Refugiados da ONU declarou que em 2019 é preciso acabar com a atual abordagem na Europa, onde o problema migratório é gerido “barco a barco” quando migrantes e refugiados atravessam pelo mar Mediterrâneo.

O apelo aos Estados do continente é que implementem um arranjo regional que forneça “mais clareza e previsibilidade”, sobre onde esses navios podem desembarcar com as pessoas resgatadas nessas águas.

Crianças

Migrantes após o resgate no mar., by Acnur/Giuseppe Carotenuto

O apelo foi feito após a retenção de dois barcos com 49 refugiados e migrantes após serem resgatados por ONGs. No grupo estavam crianças pequenas. Na segunda-feira, a agência solicitou “portos seguros e o desembarque dos ocupantes”.

Em uma das embarcações, o Sea Watch 3, estavam pelo menos 32 pessoas desde 22 de dezembro. Outras 17 foram resgatadas pelo barco Sea Eye em 29 de dezembro.

A agência destacou que “a questão do tempo é cada vez mais essencial” e lembrou que há um potencial de piora das condições de tempo que a qualquer momento podem afetar as pessoas nos barcos.

Para o enviado especial do Acnur para o Mediterrâneo, Central Vincent, é preciso ação determinada “de acordo com os valores essenciais da humanidade e da compaixão, para que as 49 pessoas desembarquem seguras e sejam levadas à terra firme em segurança”.

Segurança

O responsável destaca que negociações sobre os países que deverão receber os migrantes devem ocorrer somente depois de estas estarem em segurança em terra”.

Em 2018, mais de 2.240 pessoas morreram ou desapareceram no mar tentando chegar à Europa através do Mediterrâneo.

O Acnur disse ter havido uma redução significativa no número de chegadas e elogiou o trabalho dos navios de busca e salvamento operados por ONGs pelo seu “papel crítico” para evitar um número de mortes muito maior.

 

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