Representante especial destaca urgência de acordo político no Afeganistão

10 setembro 2019

Encontro do Conselho de Segurança discutiu situação no país; Estado-membro organiza eleições presidenciais a 28 de setembro; droga e terrorismo continuam sendo desafios à estabilidade.

O representante especial do secretário-geral no Afeganistão disse que “os eventos dos últimos dias e semanas mostraram, mais do que nunca, a urgência de encontrar um acordo político para o longo conflito afegão.”

Tadamichi Yamamoto participou esta terça-feira em um encontro do Conselho de Segurança. O país organiza eleições presidenciais a 28 de setembro.

Paz

Representante especial do secretário-geral para o Afeganistão no Conselho de Segurança, Foto ONU/Loey Felipe

O representante disse que “os esforços no ano passado produziram oportunidades para a paz” e que “isso criou esperança, mas também medo para muitos.”

Segundo ele, “o conflito só pode ser resolvido através de conversas diretas entre o povo afegão” e “essas conversas devem ser inclusivas, representando todo o espectro da sociedade afegã.”

Para Yamamoto, é imperativo que negociações diretas entre o Afeganistão e os Talibã “comecem o mais rápido possível.” Segundo ele, os “muitos esforços” realizados nesse sentido “criaram uma oportunidade” que deve ser aproveitada.

Eleições

Sobre as eleições presidenciais marcada para 28 de setembro, a quarta votação deste tipo desde 2001, o representante diz que podem ser “um passo no fortalecimento da fundação de um sistema político democrático representativo.”

Quanto aos preparativos técnicos e operacionais, ele afirmou que “as coisas estão no caminho certo.” Os boletins de voto e outros materiais eleitorais estão sendo entregues, o recrutamento e formação dos profissionais está em andamento e a lista de eleitores foi atualizada.

O representante diz que “estes são alguns exemplos de reformas que refletem as lições aprendidas nas eleições parlamentares do ano passado.” Essas medidas devem melhorar as medidas de mitigação de fraudes, aumentar a transparência e credibilidade dos votos.

Apesar desses progressos, permanecem algumas preocupações, como a segurança, a participação de eleitores e a as possíveis fraudes e irregularidades.

Diretor-executivo do Unodc, Yury Fedotov, ONU News/Liz Scaffidi

Segundo Yamamoto, ainda existe “muita ansiedade expressada pelos cidadãos, particularmente devido à ameaça dos Talibãs de interromper o processo eleitoral, visando civis que participam das eleições.”

O representante afirmou que “ataques dirigidos contra centros de votação e civis que participam do processo eleitoral são inaceitáveis” e “violações claras do direito internacional.” Ele pediu aos Talibãs que retirem essa ameaça, e ao governo que forneça medidas de segurança adequadas.

Violência

Segundo Yamamoto, “os esforços para a paz devem ser acompanhados de uma redução da violência, mas a violência aumentou nos últimos dias.”

Ele está muito preocupado com o alto número de vítimas e afirmou que atingir civis, de forma propositada, é considerado um crime de guerra.

Enquanto o país busca a paz, o representante diz que não se pode esquecer os milhões de pessoas que sofrem as consequências do conflito. Atualmente, agências da ONU e parceiros atuam em 331 dos 400 distritos do país, em particular nas áreas de agricultura, educação e saúde.

Drogas e terrorismo

O diretor executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, também participou no encontro.

Yuri Fedotov informou que “a situação relacionada à produção e tráfico de drogas e ao crime organizado transnacional permanece complexa.” Insurgentes e outros grupos não-estatais controlam áreas usadas para produção de droga e estão angariando centenas de milhões de dólares.

Um funcionário municipal em Cabul, capital do Afeganistão, limpa os destroços de um complexo de apartamentos que foi severamente danificado no ataque de 1 de julho reivindicado pelo talibã, Unama/Fardin Waezi

Segundo o representante, “os desafios persistentes colocados por drogas ilícitas, crimes econômicos e financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo continuam a minar a estabilidade do país.”

Ele disse que “esses crimes têm um impacto profundamente negativo nos objetivos macroeconômicos do governo de inclusão financeira, criação de empregos, crescimento robusto liderado pelo setor privado e receitas domésticas estáveis.”

Progresso

Apesar desses desafios, o chefe do Unodc também destacou alguns progressos. Fedotov disse que a sua agência está trabalhando com o governo afegão para finalizar a Pesquisa de ópio do Afeganistão 2019, que será lançada em outubro, e que a área sob cultivo deve diminuir em relação aos níveis recordes de 2017 e 2018.

Além dessa descida, o trabalho para criar novos empregos para produtores de droga levou à criação de 8,5 mil postos de trabalho em 2018, gerando US$ 4 milhões em receita. Perto de 4,2 mil mulheres e meninas ocuparam os novos empregos.

Fedotov terminou dizendo que o Unodc “continua fortemente comprometido em apoiar o Afeganistão a enfrentar os desafios relacionados de drogas, crime, corrupção e terrorismo” e que conta “com a assistência da comunidade internacional para ajudar realizar esse trabalho essencial.”

 

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