Ataques contra centros eleitorais no Afeganistão já causaram 271 mortos e feridos

10 maio 2018

País realiza eleições parlamentares e distritais em outubro; chefe da missão da ONU diz que violência em centros de inscrição é “assalto à democracia”.

Um relatório da Missão da ONU no Afeganistão, Unama, divulgado esta quinta-feira, detalha um “padrão perturbador” de ataques a instalações relacionadas com as eleições, que estão marcadas para outubro.

Desde que o recenseamento eleitoral começou, a 14 de abril, aconteceram pelo menos 23 incidentes de segurança relacionados com este escrutínio. Esta violência já causou 271 mortos e feridos entre civis.

Ataques

A grande maioria de vítimas civis aconteceu a 22 de abril, na capital do país, Cabul. Nesse dia, um ataque suicida em frente a um centro de distribuição de identidade nacional resultou em 198 mortos e feridos.

O representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, disse estar "indignado com esses ataques deliberados contra civis que  tentam exercer o seu direito constitucional de voto."

Para Yamamoto, que também é chefe da missão da ONU, estes ataques são “um ataque à democracia”.

Segundo os novos dados, desde a abertura do recenseamento 75% de todos os incidentes ocorridos em escolas ou mesquitas estiveram relacionados com as eleições. O relatório também descreve alegações de intimidação a funcionários eleitorais e pessoas que pretendem participar.

Dos 23 incidentes de segurança verificados, 10 envolveram casos de ameaças, assédio e intimidação. Estes abusos foram cometidos por forças contra o atual governo, e tiveram como vítimas pessoal eleitoral, professores e potenciais eleitores.

Direitos

Yamamoto disse que todos os que se estão registrando para votar merecem o maior respeito, porque “estão colocando a esperança para o futuro do Afeganistão acima das preocupações com a sua segurança pessoal.”

De acordo com a lei internacional de direitos humanos, todos têm direito de participar de assuntos públicos, votar e ser eleitos para o governo sem discriminação e sem restrições.

O chefe da Unama afirmou que “o caminho a seguir não deve depender de uma solução militar, mas sim de um processo democrático.”

O Afeganistão pretende realizar eleições parlamentares e distritais em outubro, com um atraso de mais de três anos.

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

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