No Brasil, chefe do Acnur diz que está bem impressionado com acolhimento de venezuelanos

17 agosto 2019

Para o alto comissário da ONU, Governo do Brasil deve exercer liderança regional em melhores respostas para acolher migrantes e refugiados da Venezuela; em Boa Vista, Filippo Grandi pediu maior inclusão de venezuelanos dos grupos mais vulneráveis.

Impressionado, positivamente impressionado. Foi assim que o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados descreveu a visita feita à cidade brasileira de Boa Vista, em Roraima, após acompanhar a situação de migrantes e refugiados venezuelanos.

Ainda este fim de semana, Filippo Grandi visita Manaus para saber como é implementada a Operação Acolhida que está prestando assistência a milhares de migrantes e refugiadas no terreno.

Inovação

Falando a jornalistas em Boa Vista, Grandi disse estar impressionado com o esforço do governo federal, das autoridades locais, da sociedade civil e dos habitantes dessas áreas. Sobre a Operação Acolhida, ele elogiou “a abertura e as ideias injetadas para tornar mais eficiente essa iniciativa que “toma conta” dos venezuelanos.

Para o chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a região da América Latina enfrenta um “desafio muito grande”, pelo movimento de pessoas da Venezuela que é inédito em tamanho e dimensão. Grandi destacou a Operação Acolhida porque “não trata apenas de receber as pessoas, mas também de integrá-las por meio do processo de interiorização”.

O alto comissário destacou que “a solução real para  problema da Venezuela depende de uma solução política dentro da própria Venezuela”.

Como chefe do Acnur, ele destacou que “não faria qualquer declaração política, mas apoia integralmente a posição do secretário-geral da ONU, António Guterres, pedindo uma solução pacífica e política para a questão da Venezuela, que permita as pessoas retornarem e viverem na Venezuela de forma estável sem temerem qualquer tipo de represálias.”

Filippo Grandi apontou a necessidade de maior inclusão de grupos específicos mais vulneráveis., by Acnur/Santiago Escobar

Minorias 

Entre os vários desafios e dificuldades que devem ser abordados no Brasil, ele apontou a necessidade de maior inclusão de grupos específicos mais vulneráveis como crianças, mulheres sozinhas, desempregados e minorias Lgbt. Para Grandi é “importante que estas recebam as mesmas condições que as outras pessoas”.

O representante disse que não devem ser esquecidas as comunidades locais brasileiras, que fazem um enorme sacrifício e devem ser beneficiadas em ações de auxílio por serem “comunidades com poucos recursos e partilham com os migrantes e refugiados”.

Para o alto comissário, outro aspecto importante é lembrar que muitos países são afetados pela crise regional e, por isso, encorajou o Governo do Brasil a exercer um papel de liderança regional para colocar em prática as melhores respostas em prol dos venezuelanos.

O chefe do Acnur destacou que “o  governo colocou dezenas de milhões de reais na resposta ao refugiados e migrantes,  mas realçou  é preciso apoio de outras regiões e países incluindo a  Europa, a América do Norte e outros porque os países de acolhimento não podem ser deixados sozinhos. O apelo internacional para apoiar os venezuelanos na região recebeu 30% do valor necessário para prestar o auxílio humanitário.

Grandi esteve ainda em Brasília, onde teve reuniões com órgãos governamentais que coordenam a resposta aos venezuelanos incluindo os Ministérios da Casa Civil, das Relações Exteriores, da Justiça e da  Cidadania.

Antes de chegar ao Brasil, o chefe do Acnur visitou o Chile. O país é uma das 16 nações da região onde vivem 4,3 milhões de pessoas que deixaram a Venezuela durante os últimos anos.

Acnur/Santiago Escobar
Grandi disse que Operação Acolhida não trata apenas receber as pessoas, mas também de integrá-las por meio do processo de interiorização.

 

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