Novas drogas para tratar o ebola aumentam possibilidades de sobrevivência
BR

13 agosto 2019

OMS coordenou estudo com pesquisadores internacionais que envolveu mais de 700 pacientes; agência informa que drogas Regn-EB3 e mAb114  serão usadas em breve para tratar pacientes da RD Congo.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, espera que em breve o ebola seja uma doença “evitável e tratável”, após um teste com dois novos medicamentos ter melhorado de forma significativa as taxas de sobrevivência.

De acordo com a agência, mais de 90% das pessoas infectadas podem sobreviver se forem tratadas precocemente com as duas drogas que foram as mais eficazes de quatro testadas em pesquisas com pacientes na República Democrática do Congo, RD Congo.

Anticorpos

O sucesso dos medicamentos Regn-EB3 e mAb114 foi divulgado neste domingo. Eles atuam atacando o vírus ebola com anticorpos, neutralizando o seu impacto nas células humanas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Gebreyesus, elogiou o resultado das pesquisas  que desde novembro passado foram coordenadas pela agência, com o envolvimento de  especialistas internacionais e mais de 700 pacientes.

Tratamento

Após os resultados, Tedros disse que “a notícia é bem-vinda, porque já estão ao dispor informações sobre a segurança e a eficácia dos medicamentos para o tratamento do ebola. Ele destaca ainda que a partir de agora “pode ser oferecida aos pacientes uma oportunidade ainda melhor de sobrevivência”.

A OMS destaca que as novas drogas serão usadas em breve para tratar todos os pacientes na República Democrática do Congo, onde um surto ativo há cerca de um ano já infectou mais de 2.671 pacientes e provocou 1.790 mortes.

Crianças

De acordo com últimos dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o número de crianças que ficaram órfãs ou desacompanhadas com a epidemia de ebola mais do que dobrou desde abril na RD Congo.

A agência exige um rápido aumento dos cuidados especializados nas províncias de Ituri e  Kivu do Norte, após ter registrado 1.380 menores que perderam ambos os pais desde o início do surto há pouco mais de um ano.

No mesmo período,  2.469 crianças foram separadas de seus pais ou cuidadores por terem sido deixadas sozinhas quando os adultos foram submetidos a exames e ao tratamento, ou isoladas por terem estado em contato com alguém infectado.

Um cuidador no Centro de Tratamento Ebola de Butembo, beija um bebê de sete meses que perdeu a mãe devido ao ebola poucos dias antes., by © UNICEF/Vincent Tremeau

A agência tem atuado junto a parceiros e comunidades para identificar rapidamente as crianças afetadas e adaptar o apoio para atender as diversas necessidades físicas, psicológicas e sociais dos menores.

Até o momento, o Unicef treinou 906 assistentes psicossociais e psicólogos que oferecem assistência pessoal para crianças órfãs e separadas dos pais.

 

 

Discriminação

O chefe de Proteção à Criança na RD Congo, Pierre Ferry, disse que “muitas delas assistem os pais morrendo na frente deles, ou observam seus entes queridos sendo levados a centros de tratamento sem certeza de quando ou se eles retornarão”.

Ferry disse  ainda que estas crianças estão lutando com a tristeza e ansiedade ao ter que confortar e cuidar de irmãos mais novos. Ele destacou que “muitas delas enfrentam discriminação, estigmatização e isolamento”.

Os agentes psicossociais  reduzem os índices de discriminação e de desinformação aos estimular a aceitação e o envolvimento da comunidade, o que é crucial para conter o surto.

Alimentos

Para crianças desacompanhadas, as equipes psicossociais fornecem cuidados dedicados que incluem a oferta de alimentos, apoio psicológico e assistência material.

Três creches funcionam ao lado de centros de tratamento e pontos críticos da epidemia, onde os sobreviventes que são imunes à doença, cuidam e monitoram de perto os bebês e as crianças muito novas até que seus pais ou cuidadores tenham completado o tratamento.

 

 

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