Meio milhão de pessoas morreriam se a guerra se estendesse até 2022 no Iêmen
BR

17 junho 2019

Estudo mencionado no Conselho de Segurança alerta sobre implicações do conflito  para segurança e estabilidade regionais; 60% dessas pessoas não resistiria a fatores como fome, falta de assistência médica e causas relacionadas.

O Conselho de Segurança realizou esta segunda-feira um debate sobre o Iêmen, onde discursaram o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, o diretor executivo do Programa Mundial de Alimentação, PMA, David Beasley, e o  representante especial do secretário-geral no país, Martin Griffiths.

Lowcock citou um estudo feito recentemente pela Universidade de Denver, nos Estados Unidos,  prevendo meio milhão de mortes se os confrontos durarem até 2022.

Uma em cada quatro crianças iemenitas seria desnutrida e quase 40% delas estariam fora da escola.
Uma em cada quatro crianças iemenitas seria desnutrida e quase 40% delas estariam fora da escola., by Foto: Unicef/Fuad

Plano

A perspectiva da pesquisa encomendada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud,  é que mais de 300 mil dessas pessoas  perderão a vida devido a razões como fome, falta de assistência médica e causas relacionadas. Esse número corresponde ao dobro das mortes previstas na hipótese de a guerra terminar este ano.

Nesse cenário, também sucederia uma “profunda queda” na situação dos sobreviventes em todo o país. Uma em cada quatro crianças iemenitas seria desnutrida e quase 40% delas estariam fora da escola.

Lowcock chamou a atenção do Conselho para as implicações dessa situação para segurança e a estabilidade em toda a região. Atualmente, o plano de resposta humanitária requer cerca de US$ 4,2 bilhões, sendo o maior do mundo.

Nos próximos três anos, seria necessário o triplo do valor que foi solicitado para ações de auxílio em 2015. Os requisitos financeiros atuais seriam “uma fração do que seria necessário para manter as pessoas vivas daqui a alguns anos”.

Diferença

Para o chefe humanitário, “nada vai mudar no Iêmen até que todos estejam prontos para fazer as coisas de maneira muito diferente”.

Ainda sobre as ações humanitárias, o chefe do Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse que  os meios de subsistência foram destruídos no país onde “a economia é um desastre”.

David Beasley disse que a agência distribui alimentos a mais de 10 milhões de pessoas por mês.

O PMA disse que suas ações são impedidas para alimentar os mais famintos no Iêmen porque “a assistência alimentar fornecida pelas Nações Unidas está sendo desviada em áreas controladas pelo movimento Ansar Allah à custa de crianças, mulheres e homens que passam fome”.

Solução

Beasley considera “terrível” a situação humanitária no Iêmen. Segundo ele, apesar do imenso sofrimento dos 20 milhões de iemenitas que não têm o suficiente para comer, a agência continua a enfrentar uma resistência feroz para realizar o trabalho para manter as pessoas vivas.

Na reunião, o representante especial do secretário-geral no Iêmen disse que continua confiante de que as partes possam chegar a uma solução abrangente e pacífica para o conflito.

Na província de Hodeida, houve uma redução da violência pelas partes do conflito no semestre seguinte à entrada em vigor do acordo, assinado em dezembro.

Para Griffiths, o fim do conflito no Iêmen “só pode ser alcançado através de uma solução política abrangente”.
Para Griffiths, o fim do conflito no Iêmen “só pode ser alcançado através de uma solução política abrangente”. , by Foto: ONU /Loey Felipe

Frustrações

Esta situação acontece mesmo com os desafios e as frustrações que se colocam na implementação do acordo assinado entre as autoridades e os rebeldes houthis em Estocolmo.

Durante os primeiros cinco meses após a assinatura do cessar-fogo, houve uma queda de 68% de mortes de civis, em relação aos cinco meses anteriores.

No entanto, o enviado expressou profunda preocupação com a continuação da  violência tendo alvos civis. Ele disse que a interrupção desses atos continua a beneficiar as pessoas da cidade e a resposta humanitária.

O enviado informou que o general  Michael Lollesgaard, que preside o Comitê de Coordenação de Reorganização, continua a acreditar num acordo em ambas sobre as fases das redistribuições acordadas pelas partes em Estocolmo.

Taíz

Esse entendimento deve incluir o mecanismo de monitorização tripartido. Griffiths disse esperar que, uma vez resolvidas as questões pendentes, possa ter início a implementação conjunta.

Na cidade de Taíz, a situação militar e política “é extremamente complexa e frágil”, o que prejudica a população. O enviado disse que continua o trabalho com as partes para convocar uma reunião da comissão mista para identificar uma saída para a situação atual.

Essa situação traria benefícios tangíveis e imediatos como a redução das tensões e um melhor acesso à ajuda humanitária.

O representante expressou desapontamento com a falta de progressos na implementação das trocas de prisioneiros e detidos que foram acordados em Estocolmo.

Flexibilidade

Em sua opinião, uma maior flexibilidade política das partes poderia traduzir essas discussões em ações no terreno.

Para Griffiths, o fim do conflito no Iêmen “só pode ser alcançado através de uma solução política abrangente”. As oportunidades de uma compromisso ainda estão disponíveis com o apoio do Conselho.

 

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