Escritório de Direitos Humanos da ONU documenta uma série de ataques no Iêmen
BR

7 agosto 2019

Ações tiveram impacto sobre os civis em todo o país, inclusive em Aden, Taiz, Sanaa, Sadaa, Al Dhale e outras áreas; grupos armados afiliados à al-Qaeda e ao Isil também teriam intensificado suas atividades no país.

Nos últimos 10 dias foi documentada “uma série de desenvolvimentos profundamente preocupantes no Iêmen que tiveram um sério impacto sobre os civis em todo o país, inclusive em Áden, Taíz, Sanaa, Sadaa, Al Dhale e outras áreas.”

Em nota divulgada na terça-feira, em Genebra, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que grupos armados afiliados à al-Qaeda e ao grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, também parecem ter intensificado suas atividades no país.

Os confrontos envolvem o governo e os rebeldes houthis., by UN Ocha/Giles Clarke

Mortes

Ravina Shamdasani disse que desde o dia 27 de julho, o Escritório de Direitos Humanos da ONU verificou a morte de 19 civis em Taíz, Saada e Áden, além de 42 pessoas feridas. A maioria das mortes teria ocorrido durante um ataque na área do mercado de Al Thabet na província de Saada, em 29 de julho.

Na ação, 14 civis foram mortos e 26 ficaram feridos. Segundo Shamdasani, há relatos contraditórias sobre qual parte do conflito realizou os ataques.

Ataques

Em 28 de julho, forças militares e comitês populares afiliados aos combatentes houthis teriam supostamente lançado ataques indiscriminados no bairro de Al-Rawdhah em Taíz, matando uma criança e ferindo três outros civis. A situação se seguiu a ataques semelhantes de forças afiliadas aos houthis nos dias anteriores.

A porta-voz disse que também houve relatos de ataques a instalações médicas e educacionais, incluindo um incidente em 31 de julho que danificou um departamento de emergência do hospital e ambulâncias em Taíz.

Em Áden e Abyan, no sul do país, uma série de ataques teria ocorrido nos dias 1 e 2 de agosto contra uma delegacia de polícia e campos militares. De acordo com Shamdasani, o Isil reivindicou a responsabilidade pelo ato contra a delegacia.

Míssil

Um míssil balístico supostamente lançado pelos Houthis foi responsável pelo ataque em 1º de agosto em Áden durante uma parada militar, enquanto grupos armados afiliados à Al Qaeda supostamente atacaram outro campo militar na província de Abyan, em 2 de agosto.

Em aparente retaliação a esses atos, as forças do “Cinto de Segurança” estariam realizando e possibilitando ações de retaliação contra civis da parte norte do Iêmen. Os civis estariam cercados, sendo agredidos, assediados e deslocados à força para as áreas fronteiriças com outras províncias.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU lembra às partes do conflito que deslocamentos forçados violam as leis internacionais de direitos humanos e humanitária. , by Foto: Ocha/Giles

Prisões

O Escritório de Direitos Humanos da ONU recebeu informações de várias fontes sobre prisões e detenções arbitrárias, deslocamento forçado, agressões físicas e assédio, assim como saques e vandalismo cometidos pelas forças de segurança contra centenas de pessoas da região norte do país.

A porta-voz disse que o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas lembra às partes do conflito que tais prisões e deslocamentos forçados violam as leis internacionais de direitos humanos e humanitária.

As partes de um conflito armado não internacional não podem ordenar o deslocamento da população civil, no todo ou em parte, por razões relacionadas ao conflito, a menos que esse seja exigido pela segurança dos civis envolvidos ou razões militares imperativas.

Deslocados

Shamdasani disse que informações sobre o número de pessoas deslocadas e os detalhes das violações a que foram submetidas continuam a ser coletadas, mas que relatos iniciais sugerem que centenas de pessoas já foram deslocadas.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU continua também profundamente preocupado com a situação em Al Dhale, no sudoeste do Iêmen. A região teve uma escalada das operações militares em março de 2019, que incluem o uso de minas terrestres, ataques aéreos, bombardeios e combate em terra.

Água

A única reserva de água em Al Dhale está supostamente sob o controle dos houthis e muitas bombas de água pararam de funcionar ou foram danificadas, cortando assim o abastecimento de água para partes da população.

A ONU pede a todas as partes envolvidas no conflito que tentem reduzir a situação e garantam que quaisquer ataques a civis e infraestruturas civis sejam significativamente investigados. Outro apelo é que os autores dessas ações sejam levados à justiça.

 

 

 

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