Em Cox’s Bazar, António Vitorino destaca prioridade de proteger 1 milhão de rohingyas

29 abril 2019

Diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações visitou assentamentos de refugiados com chefe Humanitário e líder da Agência da ONU para Refugiados; agências preparam acampamentos para resistir à época dos ciclones e monções. 

Três altos funcionários das Nações Unidas visitaram assentamentos de refugiados em Cox’s Bazar, no Bangladesh, que acolhem cerca de 1 milhão de pessoas da minoria rohingya originária de Mianmar.

Participaram na visita o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, e o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino.

Chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, no assentamento de Kutapalong, no Bangladesh, by Acnur/Will Swanson

Prioridades

Em declarações à ONU News, no fim de semana António, Vitorino disse que proteger estes refugiados durante a época das monções é a preocupação mais urgente.

“Neste momento, no curto prazo, a principal preocupação é permitir que mais de um milhão de refugiados rohingya que se encontra em Cox Bazar enfrente, nas melhores condições possíveis, a época das monções que se aproxima. Foram feitos muitos melhoramentos nos campos, para, exatamente, reforçar as condições de preparação e de resiliência face a uma tempestade. Mas, obviamente, é sempre um fator de grande preocupação porque o que está, acima de tudo, em causa é a segurança das vidas e das pessoas.”

A visita aconteceu antes da época dos ciclones, que é seguida pelas monções. Ambas representam sérios riscos, incluindo inundações, deslizamentos de terra e surtos de doenças, para milhares de mulheres, homens e crianças em situação vulnerável.

Regresso

Durante a visita, os representantes falaram com diferentes grupos de refugiados e destacam a importância de apoiar esta população, sobretudo na área da educação.

Cerca de metade das 540 mil crianças refugiadas com menos de 12 anos de idade estão sem aulas e es outras têm acesso a uma escolaridade muito limitada. Apenas uma minoria de adolescentes tem acesso a qualquer forma de educação.

António Vitorino disse que a grande prioridade para esta população, no entanto, continua a ser o regresso a Mianmar, de livre vontade e com condições de segurança.

“Numa perspectiva mais alargada, a nossa principal preocupação é que sejam criadas as condições em Mianmar para que se verifique o retorno dos refugiados rohingya ao estado de Rakhine e que, nesse estado, tenham condições de liberdade de movimento e que tenham um estatuto jurídico que lhes permita estabelecerem-se e viverem e realizarem-se plenamente.”

Necessidades

Durante a visita, o alto comissário para Refugiados disse que “os desafios são enormes”. Grandi pediu à comunidade internacional que continue apoiando as necessidades críticas de 1,2 milhão de pessoas no sudeste de Bangladesh, incluindo as comunidades anfitriãs.

Os altos funcionários também debateram com o governo as formas de apoio da comunidade internacional aos seus esforços. No terreno, viram o trabalho sendo feito para fortalecer abrigos, melhorar infraestruturas e treinar voluntários.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários afirmou que “o acampamento está muito melhor estabelecido” e que “há uma sensação muito mais forte de calma.” Mark Lowcock afirmou, no entanto, que “ainda existem muitos problemas, sobretudo problemas enfrentados por mulheres e meninas.”

Lowcock, Grandi e Vitorino também se reuniram com famílias, que contaram as histórias de fuga da violência em Mianmar durante o verão de 2017.

 

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