Na ONU, países lusófonos pedem que ajuda pós-ciclone Idai não seja interrompida

3 abril 2019

Embaixadores de Angola, Portugal e Moçambique falaram à ONU News em Nova Iorque; Nações Unidas querem reforço da solidariedade para recuperar os danos e reconstruir áreas afetadas pelo pior desastre natural na África Austral em décadas.

A situação dos países que foram afetados pelo ciclone Idai levanta a preocupação da comunidade internacional, que esta terça-feira realizou um encontro especial no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, Ecosoc.

A reunião que debateu a resposta ao desastre foi marcada por repetidos apelos de apoio às fases de reconstrução e resiliência, após o ciclone que provocou mais de 3 milhões de vítimas em Moçambique, no Maláui e no Zimbábue.

Material

Em declarações à ONU News, em Nova Iorque, a embaixadora de Angola junto às Nações Unidas disse esperar mais anúncios de apoio internacional. Maria de Jesus Ferreira contou que o seu país enviou helicópteros da Força Aérea, socorristas, material  e médicos para Moçambique, onde morreram cerca de 600 pessoas.

“Angola continuará sempre solidária com os países-irmãos e disposta a colaborar dentro de tudo aquilo que estiver ao nosso alcance. Outros países deverão também ajudar. Foi essa a declaração que fizemos, no sentido de outros países continuarem a prestar o seu apoio, nomeadamente os países doadores para que os organismos internacionais possam continuar a fazer o seu trabalho de socorro, não só a curto mas a longo prazo,  porque as maiores consequências ver-se-ão a partir de agora com casos de malária, com casos de todo o tipo de doenças em consequência da acumulação de águas e o prejuízo todo que o ciclone provocou.”

Longo Prazo

Portugal destacou a solidariedade que marca tanto o país e como comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, para apoiar às vítimas do desastre.

O embaixador português junto à ONU, Francisco Duarte Lopes, mencionou ações que envolvem autoridades, organizações não-governamentais, membros da sociedade civil e do setor privado atuando em Moçambique. 

“E demos conta de, no âmbito da nossa parceria com Moçambique, estarmos a apostar estrategicamente em setores como a saúde,  a educação e a melhoria das infraestruturas.  Continuamos com alguns elementos desta resposta imediata de emergência no país. Estamos, nomeadamente, a trabalhar no tratamento de água, no abastecimento de água às populações. Mas estamos já também a pensar em ações de mais médio e longo prazo para ajudar Moçambique nesse esforço de resiliência e de estar em melhores condições para, da próxima vez, responderem melhor a estas catástrofes naturais.” 

Países Afetados

Segundo as Nações Unidas, as promessas feitas pelos países doadores totalizam US$ 46 milhões dos US$ 392 milhões pedidos no apelo lançado em prol dos países afetados pelo ciclone Idai.

O embaixador de   Moçambique junto à ONU, António Gumende, disse que a atenção internacional é notável, mas explicou porque este movimento não deve ser interrompido.

“Já estamos a falar da eclosão de incidentes de cólera. Nos próximos tempos poderemos  ter também um aumento de pessoas afetadas pela malária, quando as águas estagnadas começarem a criar condições para a reprodução dos vetores de transmissão. Portanto é um esforço que eu penso que está sendo seguido com muita atenção pela comunidade internacional.  A atmosfera e os pronunciamentos, de todos os quadrantes, durante esta reunião revelam o interesse permanente tanto dos Estados-membros como das organizações internacionais, como até de algumas organizações da sociedade civil que estiveram presentes no encontro. Portanto, foi um desfecho encorajador.”

Solidariedade

No encontro, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, pediu que seja reforçada a solidariedade para as fases de recuperação e reconstrução nessas áreas que estão entre as mais pobres do continente africano.

Segundo a organização, o ciclone Idai é o pior desastre natural que atingiu a África Austral nos últimos 20 anos.

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