Portugal vai rever práticas militares em emergências após atuar em Moçambique

10 julho 2019

Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas portuguesas revela lições tiradas pelos militares do país no socorro às vítimas do ciclone Idai; militares portugueses deixam completamente o território moçambicano esta semana.

Portugal vai rever as práticas de participação de forças militares do país em emergências, após ter realizado operações de apoio às populações na sequência do ciclone Idai em Moçambique.

Esta semana, o país retira as forças e o material que estiveram envolvidos nessas ações quatro meses após a passagem do fenômeno natural pelo território moçambicano.

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas portuguesas, almirante António Silva Ribeiro, durante entrevista para a ONU News. Reprodução/ONU News

Ajuda

Para o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas portuguesas,  Almirante António Silva Ribeiro, a saída deixará várias experiências importantes nesse tipo de ações.

 “Aprendeu-se. Desde logo, foi a primeira vez que empregamos a nossa Força de Reação Imediata, que é uma estrutura para operações militares que a empenhamos numa operação de ajuda humanitária, naquilo que é o chamado apoio militar de emergência. Perante aquela situação de catástrofe nas imediações da Beira,  a que houve a decisão política de empenhar os militares, nós fomos com uma estrutura preparada  para operações militares, mas também  com treino para emergências civis.”

Dezenas de militares portugueses e um avião C-130 prestaram ajuda aos civis e realizaram operações de resgate após o ciclone que provocou pelo menos 604 mortos no país. O fenômeno é considerado inédito em mais de 20 anos na África Austral.

Cooperação

Na conversa com a ONU News, em Nova Iorque, o almirante Silva Ribeiro declarou que vários momentos marcaram a cooperação portuguesa no acompanhamento da situação.

“Durante os 10 dias, em que os militares estiveram, na sua máxima força na Beira, foi um conjunto de lições aprendidas extraordinárias que nos estão a ajudar a rever a nossa doutrina para este tipo de operações, a desenvolver e a aprofundar o treino, a  identificar capacidades que precisamos de ter prontas para este tipo de operação.”

O comandante militar disse ainda que foram vários os exemplos de superação observados no terreno pelas forças portuguesas no terreno.

© Pnud Mozambique
Acampamento na Beira, em Moçambique, que abriga famílias afetadas pelo ciclone

Lição

“Aprendemos muito, mas aprendemos uma coisa fundamental. Foi o exemplo de resiliência e de coragem dos moçambicanos. Os nossos militares que estiveram ali na Beira e, sobretudo, no apoio que deram às populações (do distrito) de Nhamatanda viram as maiores demonstrações de coragem e de esforço de sobrevivência daquela martirizada população. Isso, em termos de aprendizagem para os nossos militares que não estão sujeitos em Portugal e não têm estado sujeitos a calamidades desse gênero a não ser os fogos que ocorreram em 2017, também foi uma grande lição de aprendizagem social dessa missão.”

Moçambique segue agora o caminho da reconstrução com o apoio da comunidade internacional. Para esse processo, os militares portugueses deixam uma marca para as populações com quem conviveram durante mais de 100 dias.

OIM/Sandra Black
Famílias no acampamento Samora Michel na Beira, em Moçambique.

Purificação

“Vamos oferecer à população de Nhamatanda a estação de purificação de água. Foi tão apreciada e tem tido tanta utilidade que Portugal, por decisão política, vai deixar essa estação de purificação de água ao serviço do município de Nhamatanda.”

O chefe militar disse que Portugal alinha com o plano da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, para aprofundar medidas para atuar em operações de emergência.

De acordo com o almirante Silva Ribeiro, quando se trata de elementos como doutrina e procedimentos, quando praticados em qualquer país do bloco lusófono, “todos os contributos são válidos para minorar o sofrimento das populações”.

 O representante está em Nova Iorque para participar na Conferência da ONU de Chefes de Defesa.

 

 

 

 

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