ONU pede mais financiamento para ajuda a Moçambique, Maláui e Zimbábue

2 abril 2019

Comunidade internacional garantiu cerca de 11% dos US$ 392 milhões necessários; vice-secretária-geral da ONU apela a um reforço do apoio; representante pediu ainda aceleração na ação climática por parte dos países.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, pediu esta terça-feira à comunidade internacional que reforce a ajuda financeira aos três países mais afetados pelo ciclone Idai.  

Em discurso em evento promovido pelo Conselho Económico e Social, Ecosoc, na sede das Nações Unidas, Mohammed lembrou que, segundo as últimas estimativas, Moçambique, Maláui e Zimbabué necessitam de US$ 392 milhões para garantir a assistência humanitária necessária. Até agora, de acordo com a representante, foram garantidos apenas US$ 46 milhões.

Necessidades

Em discurso, Amina Mohammed destacou que quase três semanas depois do ciclone, as necessidades “permanecem profundas” na região afetada pelo ciclone Idai.Foto ONU/ Jean Marc Ferré

Em discurso, Amina Mohammed destacou que quase três semanas depois do ciclone, as necessidades “permanecem profundas” e que “persistem os riscos de mais inundações, da disseminação de doenças e de perda de mais vidas.”

Descrevendo a realidade que se vive na região, a vice-secretária-geral enfatizou que “muitas áreas agora são afetadas por surtos de cólera”, com a estimativa atual superior a mil casos. Por outro lado, a tempestade destruiu milhares de casas, inundou milhares de hectares de terras agrícolas e mais de 200 mil pessoas estão  deslocadas.

Homenagem

Nesta intervenção, Mohamed prestou também homenagem aos profissionais locais, nacionais e internacionais que estiveram no local “desde os primeiros momentos da crise, salvando inúmeras vidas e impedindo um resultado ainda mais devastador.”

Vacinas contra a cólera chegam ao aeroporto de Beira, em Moçambique.
​​​​​​​Unicef/DE WET

A vice-secretária-geral referiu o trabalho que tem sido feito pela ONU, nomeadamente através do Programa Mundial de Alimentos, PMA, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a Organização Mundial de Saúde, OMS, e o Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf.

No entanto, para a responsável a “resposta ainda está subfinanciada” sendo necessário também assegurar que “seja expandida para as áreas rurais e comunidades.”

Futuro

Dirigindo-se a delegados dos Estados-membros, Mohamed lembrou que não basta trabalhar a fase de emergência mas que é também crucial preparar os países mais expostos a saberem melhor lidar com episódios climáticos mais severos.  

Em 2018, nenhuma região estava imune a desastres naturais devastadores.

Por isso, uma das suas propostas é que os Estados-membros aumentem a sua ambição na ação climática, “tanto na mitigação quanto na adaptação” encorajando os países a participar na Cimeira da Ação Climática, convocada para setembro de 2019 pelo secretário-geral.

Também o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que “é necessário mais financiamento para responder aos milhões de pessoas afetadas, reconstruir vidas e prevenir perdas adicionais de vida em Maláui, Moçambique e Zimbábue.”

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