Guterres promete a moçambicanos: “não nos vamos esquecer de vocês”

26 março 2019

Secretário-geral falou a jornalistas sobre desastre natural em Moçambique, Maláui e Zimbábue; ONU lançou apelo humanitário de US$ 282 milhões para apoiar 1,7 milhão de pessoas no país lusófono nos próximos três meses; acompanhe aqui a cobertura especial da ONU News.

O secretário-geral da ONU disse estar “profundamente consternado pelos níveis de sofrimento e destruição causados por uma das piores catástrofes ambientais vividas em África.”

Esta terça-feira, António Guterres falou aos jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, sobre as necessidades de apoio aos países afetados pelo ciclone Idai, incluindo o Zimbabué e o Maláui.

Moçambique vai vencer

O chefe da ONU disse que “é extremamente doloroso constatar as centenas de mortos que o ciclone Idai provocou, ver localidades inteiras alagadas, saber que casas, hospitais e escolas estão em ruínas, verificar que colheitas vitais para a alimentação das populações foram perdidas, temer as doenças e epidemias que, normalmente, surgem nestas ocasiões.” 

Guterres disse que, para ele, é “pessoalmente doloroso” verificar a dimensão da calamidade “na bonita cidade da Beira” onde, no passado, foi “tão bem e tão calorosamente recebido.”

Na sexta-feira, Guterres falou com o presidente Filipe Nyusi, transmitindo “o incondicional e solidário apoio das Nações Unidas.”

Esta terça-feira, ele declarou que queria dizer às autoridades e ao povo de Moçambique e, em particular, às populações mais afetadas que “Estamos juntos!”.

Dirigindo-se aos moçambicanos, Guterres afirmou “não nos vamos esquecer de vós” e prometeu que “o apoio das Nações Unidas está a ser reforçado e será um apoio duradouro.” Quando a fase da ajuda humanitária e de emergência for ultrapassada, a ONU estará presente “no apoio aos esforços moçambicanos de retoma do caminho do desenvolvimento.”

O secretário-geral lembrou a letra d hino moçambicano, que diz que a “Pátria amada” vai vencer, e afirmou que “Moçambique vai vencer este momento especialmente difícil.”

Ajuda humanitária

Sobre a ajuda humanitária, António Guterres disse que “a Comunidade Internacional mobilizou-se na resposta à crise”, mas que os meios disponiveis “não são suficientes.”

As Nações Unidas lançaram na segunda-feira um apelo humanitário de urgência de US$ 282 milhões para Moçambique. Nos próximos dias, serão anunciadas iniciativas semelhantes para o Zimbabué e o Maláui.

Guterres afirmou que “este é o momento para traduzir em gestos concretos a nossa solidariedade.”

Apelo

O apelo das Nações Unidas deve apoiar 1,7 milhão de pessoas nos próximos três meses. A ajuda deve responder a necessidades na área alimentar, saúde, água, condições sanitárias, educação e abrigo.

O pedido soma-se a um apelo humanitário que já existia, de US$ 337 milhões, e deve também ajudar cerca de 700 mil pessoas afetadas pela seca que já afetava o país. 

Também esta terça-feira, o chefe do Programa Mundial de Alimentação, David Beasley, visita as áreas afetadas para chamar atenção para o desastre.

Em mensagem publicada no Twitter, Beasley disse que o PMA está a “aumentar rapidamente” a sua operação e que “já enviou mais 100 pessoas para o país para ajudar.”

Hospitais

A representante para Moçambique da Organização Mundial de Saúde, OMS, falou aos jornalistas em Genebra esta terça-feira.

Djamila Cabral visitou a cidade da Beira, uma das áreas mais afetadas, e disse que “a devastação é enorme.” Segundo ela, mais de 100 mil pessoas perderam as suas casas e todos os seus bens.

A representante disse que “famílias, mulheres grávidas e bebês estão vivendo em campos com condições horríveis, sem comida e bens seguro, ou água potável ou condições sanitárias.”

Cerca de 55 centros de saúde foram danificados. No Hospital Central da Beira, as cheias danificaram equipamento essencial e a unidade estava incapaz de receber pacientes. A unidade de cirurgia e a maternidade, por exemplo, foram completamente destruídas.

Neste momento, os números de mortes confirmadas pelo governo são 447, mas a representante disse esperar que “os números reais sejam muito mais elevados.”

Saúde é prioridade

Para a OMS, a saúde dos moçambicanos é a prioridade número um. A agência já começou a tomar medidas para evitar a propagação de doenças como a cólera e malária.

Djamila Cabral disse que “não podemos deixar estas pessoas sofrer um segundo desastre, devido a um surto de doenças ou falta de acesso a serviços essenciais de saúde.” Segundo ela, “estas pessoas já sofreram o suficiente.”

Aruminda segura o irnão, António, em um campo para deslocados em Dondo, Moçambique, by Unicef/DE WET

O diretor geral da agência pediu uma abordagem “sem remorsos”, o que significa “fazer tudo o possível para resolver a crise, investindo todos os recursos disponíveis para salvar vidas e proteger a saúde.”

A agência aumentou os seus funcionários no país com 40 especialistas em logística, epidemiologia, prevenção e resposta a surtos.

Entre as prioridades, estão a instalação de um sistema de detenção de doenças, para responder de forma rápida a suspeita de surtos.

Também estão em preparação os recursos para tratar doenças diarreicas, com cerca de 900 mil doses de vacinas orais para a cólera. Três centros de tratamento para a cólera estão sendo instalados.

Um aumento do número de casos de malária está sendo preparado com a distribuição de cerca de 900 mil mosquiteiros, testes de diagnóstico e medicamentos.

Segundo a agência, são precisos pelo menos US$ 38 milhões para realizar este trabalho nos próximos três meses.

Abrigos

A Organização Internacional para Migrações, OIM, também publicou o seu apelo esta terça-feira. A agência precisa de US$ 36,4 milhões para ajudar cerca de 600 mil pessoas até setembro.

Na Beira, cerca de 36 mil casas foram destruídas e 19 mil foram danificadas. Numa primeira fase, a OIM vai prestar abrigo de emergência a cerca de 200 mil pessoas.

Neste momento, existem cerca de 130 centros de trânsito, entra a Beira e Dondo, que acolhem mais de 109 mil pessoas.

A agência também alerta que cerca de 500 mil hectares de colheitas foram afetados, o que vai prejudicar a segurança alimentar na região nos próximos meses.

 

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