Emergência em Moçambique “aumenta a cada hora que passa”, diz PMA

19 março 2019

Alertas foram lançados para as próximas 72 horas devido ao risco de cheias nos rios Búzi, Púngoè  e Save; segundo a agência, “o rio Búzi já transbordou as margens matando centenas.”

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse esta terça-feira que a situação em Moçambique é “uma grande emergência humanitária que aumenta a cada hora que passa.”

Segundo as estimativas do governo, 600 mil pessoas foram afetadas pelas cheias depois do ciclone Idai nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Inhambane e Tete. Esta terça-feira, as autoridades moçambicanas decretaram emergência nacional e luto oficial de três dias.

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Vista aérea das áreas em Moçambique afectadas pelo ciclone Idai. Foto: PMA

Vítimas

Chuvas fortes estão previstas para as províncias de Sofala e Manica para esta terça, quarta e quinta-feira. Também foram lançados alertas para as próximas 72 horas devido ao risco de cheias nos rios Búzi, Púngoè  e Save, que “podem provocar mais destruição e potencial perda de vidas.”

Segundo a agência, “o rio Búzi já transbordou as margens matando centenas.”

Uma avaliação aérea do Vale do Búzi “mostrou aldeias inteiras destruídas.” Estima-se que mais de 500 mil pessoas vivam nesta bacia nas províncias de Sofala e Manica. Operações de resgate para comunidades isoladas são a principal prioridade do governo.

Ajuda

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da agência, Hervé Verhoosel, disse que o PMA “está a enviar comida e outra assistência em grandes números para pessoas desesperadas e isoladas pelas águas da cheia que sobem rapidamente.”

Neste momento, helicópteros estão distribuindo biscoitos energéticos, água e cobertores para pessoas isoladas no topo de edifícios e terrenos elevados na cidade da Beira.

Cerca de 4 toneladas de biscoitos serão distribuídas esta terça-feira, depois de 1,2 tonelada ter sido entregue na segunda. Durante o fim de semana, um carregamento de 20 toneladas desta ajuda alimentar foi trazido para o país. Esta ajuda imediata deve chegar a meio milhão e 600 mil pessoas em Tete, Nhamatanda e Beira.

O porta-voz disse que “as pessoas que podem ser vistas do céu são as pessoas com mais sorte, porque a maior prioridade neste momento é resgatar o maior número de pessoas e trazê-las para segurança.”

PMA
O armazém do PMA na Beira ficou muito danificado, mas alguma ajuda alimentar ficou intacta e está sendo distribuída em 18 abrigos localizados em escolas e igrejas.

Meios

A agência tem um helicóptero no terreno e outros dois devem chegar antes do final da semana. Negociações para trazer dois aviões, incluindo um Hercules C-130, estão em fase avançada.

Segundo o porta-voz, o armazém do PMA na Beira ficou muito danificado, mas alguma ajuda alimentar ficou intacta e está sendo distribuída em 18 abrigos localizados em escolas e igrejas. Cada centro acolhe até mil pessoas.

O PMA também planeia levar ajuda à cidade de Dondo, a norte de Beira, e mobiliza ajuda alimentar de outros locais em Moçambique e da África do Sul.

Drones da agência estão a postos para fazer um mapeamento da emergência, assim que o tempo permitir. Esta avaliação é um desafio devido ao acesso muito limitado a algumas comunidades e a falta de serviços de eletricidade e comunicações, que se se espera devem continuar nas próximas semanas.

A agência também aumentou o seu pessoal no país, com coordenadores de emergência, programadores e especialistas em comunicações e logística.

O porta-voz terminou a mensagem dizendo que, com a continuação de chuvas fortes, “cresce a preocupação sobre mais cheias à medida que as águas descem nos principais rios.”

Maláui e Zimbabué

Imagens de satélite mostram que cerca de 920 mil pessoas devem ter sido afetadas no Maláui. Cerca de 82 mil deslocadas encontraram abrigo em cerca de 300 locais, sobretudo escolas. O PMA quer aumentar a ajuda alimentar de forma rápida, pretendendo chegar a cerca de 650 mil vítimas nas áreas mais afetadas.  

No Zimbabué, o ciclone atingiu 15 mil pessoas, sobretudo nos distritos de Chimanimani e Chipinge, onde centenas de casas foram destruídas e pelo menos oitro pontes.

O PMA explicou, no entanto, que com a maioria destas regiões inacessíveis, é difícil perceber o número exato de pessoas afetadas e deslocadas.

 

 

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