Especialistas pedem ao Brasil para garantir justiça no caso da ativista Marielle Franco
BR

14 março 2019

Ativista de direitos humanos foi assassinada há um ano; dois ex-agentes policiais suspeitos de participar neste assassinato foram detidos; especialistas consideram o crime um ataque à democracia.

O Brasil deve garantir que os assassinos da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco sejam levados à justiça. A afirmação é de um grupo de relatores de direitos humanos * em nota divulgada no primeiro aniversário de sua morte.

Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, foram assassinados a tiros no dia 14 de março de 2018, quando regressavam de um evento público. Dois ex-agentes policiais suspeitos de participar nesse ato foram presos no dia 12 de março de 2019.

Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos, especialistas da ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Cidh, afirmam que “o assassinato de Marielle Franco é um ataque ao coração de uma sociedade democrática. Foto: ONU

Ataque

Em nota divulgada pelo Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos, especialistas da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Cidh, afirmam que “o assassinato de Marielle Franco é um ataque ao coração de uma sociedade democrática e um caso emblemático das ameaças enfrentadas pelos defensores de direitos humanos no Brasil.”

O grupo considera também que “se o Estado não fizer justiça neste caso, enviará uma mensagem alarmante aos defensores de direitos humanos, em particular àqueles que enfrentam ameaças e ataques."

Os especialistas destacam que “Marielle foi uma fonte de esperança e inspiração no Rio de Janeiro e em outros lugares”, trabalhando “incansavelmente para promover os direitos das mulheres, a igualdade racial e os direitos das pessoas Lgbti.”

Apelo

Marielle Franco também fez campanha em nome de afrodescendentes e jovens em áreas urbanas, denunciou o uso excessivo da força por agentes militares e as ações das milícias que operam no Rio de Janeiro.

 Os relatores reconhecem assim “o trabalho realizado pelos investigadores da polícia e promotores assim como o progresso concreto feito nos últimos dias”. Eles lembram que “é preciso fazer mais para esclarecer os motivos do ataque e descobrir quem está por trás dele. O Brasil não deve seguir o caminho da impunidade.”

 A nota termina com os especialistas apelando ao país que conclua a investigação o quanto antes, “levando os responsáveis intelectuais e materiais à justiça e oferecendo reparação e indenização às famílias.”

Um ano após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, sua viúva, Monica Benicio, traz a luta dos grupos marginalizados e defensores dos direitos humanos do Brasil para o Conselho de Direitos Humanos em Genebra. Veja no vídeo abaixo:

 

*Relatores e especialistas de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pela sua atuação.

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