Especialistas revelam ao Conselho de Segurança que Isil continua sendo ameaça

11 fevereiro 2019

Secretário-geral assistente do Escritório da ONU Contra o Terrorismo apresentou atualização aos 15 Estados-membros do órgão; grupo terrorista continua a controlar entre 14 e 18 mil milícias no Iraque e na Síria.

O secretário-geral assistente do Escritório da ONU Contra o Terrorismo, Vladimir Voronkov, disse ao Conselho de Segurança esta segunda-feira que o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, continua sendo uma ameaça.

No encontro, Voronkov apresentou as principais conclusões do 8º relatório do secretário-geral sobre a ameaça do Isil à paz e segurança internacionais e os esforços da ONU e dos Estados-membros para seu combate.

Secretário-geral assistente do Escritório da ONU Contra o Terrorismo, Vladimir Voronkov, no Conselho de Segurança, by Foto ONU/Manuel Elias

Mudanças

Voronkov afirmou que o Isil permanece “uma organização global com liderança centralizada, apesar da descida no número de ataques e planos em 2018.”

Segundo o relatório, os principais desafios neste combate são a transformação do grupo em uma rede encoberta, com atividade de afiliadas regionais e o regresso de combatentes estrangeiros e suas famílias.

Neste momento, o centro do Isil encontra-se no Iraque e na Síria, onde controla entre 14 e 18 mil milícias e cerca de 3 mil combatentes. A nível financeiro, o grupo tem reservas entre US$ 50 milhões e US$ 300 milhões e continua conseguindo rendimentos através de atividades criminosas.

Voronkov afirmou que “apesar das atividades mais encobertas das afiliadas locais do grupo, a liderança central continua sendo influente e mantém a intenção de realizar ataques internacionais.” 

O representante disse que o secretário-geral acredita que “a ameaça colocada por combatentes retornados ou deslocados, bem como indivíduos inspirados por eles, continua sendo alta e o seu alcance continua sendo global.” António Guterres acredita que “as perdas recentes do Isil não devem conduzir a complacência em qualquer nível.”

Global

A diretora-executiva do Comitê Contraterrorismo da ONU, Cted, Michèle Coninsx, também participou no encontro.

Diretora-executiva do Comitê Contraterrorismo da ONU, Cted, Michéle Coninsx, no Conselho de Segurança, by Foto ONU/Loey Felipe

Para a representante, apesar das perdas territoriais do grupo, “os vários e complexos desafios do combate ao Isil permanecem.” Segundo ela, o grupo foi forçado a mudar e “tornou-se uma rede encoberta com foco local no Iraque, Síria e outros locais.”

A responsável explicou que o grupo “mantém as suas intenções e redes globais” e que “continua a ser um dos grupos terroristas internacionais mais capazes de realizar um ataque complexo e de larga escala no futuro.”

Desafios

Coninsx destacou depois os três maiores desafios dos Estados-membros no combate a esta ameaça. Primeiro, o legado arrasador do grupo no Iraque e na Síria, com milhões de deslocados vivendo em condições terríveis.

Em segundo lugar, o aumento do número de suspeitos de terrorismo, incluindo muitos combatentes estrangeiros e familiares. E, por fim, a capacidade do grupo explorar novas tecnologias e encontrar formas inovadoras de aumentar as suas capacidades financeiras, técnicas e de recrutamento.

A responsável destacou depois vários avanços, nomeadamente na área da cooperação com Estados-membros e outras organizações internacionais e regionais. Coninsx terminou o discurso dizendo que “a única forma de combater os esforços do terrorismo é através de uma resposta global.”

Veja aqui, em inglês, o discurso de Vladimir Voronkov no Conselho de Segurança:

 

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