ONU alerta sobre possível libertação de combatentes do Isil na Síria
BR

14 outubro 2019

Secretário-geral chama a atenção para consequências dessa situação; Organização quer proteção imediata de acampamento com 13 mil deslocados;  OMS alerta que situação no terreno é caótica.

O secretário-geral das Nações Unidas publicou nesta segunda-feira uma nota destacando “séria preocupação” com as atuais operações militares no nordeste da Síria.

O receio de António Guterres é que a situação leve à “libertação não intencional de indivíduos” associados ao grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, “com todas as consequências que isso pode acarretar.”

Em 11 de outubro de 2019, na Síria, mulher e crianças aguardam embaixo de um caminhão, em Tal Tamer, depois de fugir da escalada da violência.
Em 11 de outubro de 2019, na Síria, mulher e crianças aguardam embaixo de um caminhão, em Tal Tamer, depois de fugir da escalada da violência. Foto: © Unicef/Delil Souleiman

Solução

António Guterres recorda uma resolução do Conselho de Segurança que enfatiza que “qualquer solução para a crise na Síria deve reafirmar a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial” do país.

A nota  também expressa preocupação com a situação militar no nordeste, que já resultou em muitas baixas de civis e no deslocamento de outros pelo menos 160 mil.

O chefe da ONU reitera o pedido de máxima restrição ao enfatizar que qualquer operação militar deve respeitar plenamente o direito internacional, incluindo a Carta da ONU e o Direito Internacional Humanitário.

Para o Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha, as maiores preocupações têm a ver com a população no acampamento de Ein Issa, que abriga aproximadamente 13 mil civis. A nota destaca confrontos e bombardeios próximos da área, que acontecem com o avanço das Forças Armadas da Turquia.

Proteção

Relatos do local apontam que vários deslocados internos fugiram, mas a maioria dos moradores permanece no campo. As Nações Unidas querem a proteção imediata do local, a garantia de passagem segura e sem impedimentos para os deslocados partirem para a cidade de Ar-Raqqa ou outras áreas que escolherem.

Outra questão que aumenta a preocupação da ONU e seus parceiros humanitários é a segurança dos funcionários que atuam no terreno, à medida que as explosões e os bombardeios continuam em Quamishli.

Esse problema levou algumas ONGs a transferirem seus funcionários da área e a criar  operações em locais mais seguros. Uma delas é a região de Al-Hasakeh, que fica longe da fronteira e está mais próxima de áreas que recebem novos deslocados.

Um comboio do Progama Mundial de Alimentos, PMA, leva suprimentos para o nordeste da Síria.
PMA/Hani Al Homsh
Um comboio do Progama Mundial de Alimentos, PMA, leva suprimentos para o nordeste da Síria.

Estresse

A Organização Mundial da Saúde, OMS, destacou que quase 1,5 milhão de pessoas precisam de ajuda no país. Grande parte dos afetados pelos recentes confrontos já sofreu estresse físico e mental durante o conflito e sucessivos deslocamentos.

A agência destaca que, perante a “situação caótica e rápida”, atua com parceiros para responder a necessidades urgentes. Cerca de 314 mil kits de tratamento médico, vacinas e medicamentos para trauma para 500 pacientes já foram armazenados em Qamishly.

Na próxima semana, a agência prevê levar 100 mil kits de tratamentos e medicamentos para 640 pacientes com traumas. O lote para a área também inclui remédios para doenças diarreicas a serem entregues a várias unidades de saúde.

Já a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, alertou para o risco de sofrimento humano e para o aumento de deslocamentos com a escalada dos confrontos naquela “que já é a maior crise de deslocamentos do mundo”.

Civis

A agência pede às partes para observarem o Direito Internacional Humanitário, incluindo permitir o acesso de auxílio num momento em que dezenas de milhares de civis se movimentam para escapar dos combates e buscarem segurança.

A agência destaca que a situação das pessoas que fogem dos combates piora com os movimentos debaixo de temperaturas baixas em toda a região, com a aproximação do tempo frio.

Para o Acnur, é urgente que haja acesso humanitário sem restrições, para que sejam alcançadas as pessoas recém-deslocadas e recebam ajuda sempre que for necessário.

 

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