Documentário de cineasta brasileiro aborda histórias de refugiados na Alemanha
BR

2 janeiro 2019

Filme foi rodado em Berlim, num aeroporto que em 2015 foi transformado em abrigo para pessoas que procuram refúgio; em entrevista, Karim Aïnouz comenta o papel do cinema na crise de refugiados*

O documentário “THF: Aeroporto Central” transporta o espectador para os terminais do Tempelhof, um aeroporto construído na Berlim da década de 20 e transformado num abrigo para refugiados em 2015.

Com direção do brasileiro Karim Aïnouz, o filme aborda o drama de quem fugiu da guerra para sobreviver, mas vive com a angústia de um futuro incerto na Europa.

De acordo com a Agência de Refugiados da ONU, Acnur, em todo o mundo, há 25.4 milhões de refugiados, 40 milhões de pessoas deslocadas internamente e mais de 3 milhões que procuram asilo.

Aeroporto construído na Berlim da década de 20 foi transformado num abrigo para refugiados.
Aeroporto construído na Berlim da década de 20 foi transformado num abrigo para refugiados. Foto: Reprodução

Histórias de refugiados

O filme acompanha ao longo de um ano o jovem sírio Ibrahim Al Hussein, que deixou seu vilarejo, próximo à fronteira com a Turquia, por causa de um conflito  em sua terra natal.

Refugiados de outros países também são retratados no documentário. Através de suas histórias, o público conhece as dificuldades de integração na nova pátria, a falta de privacidade no abrigo, a burocracia para regularizar a documentação migratória e conseguir trabalho.

Diretor brasileiro

Radicado na Alemanha há quase dez anos, Karim Aïnouz explica que o documentário nasceu do seu incômodo com a forma como a imprensa cobria, em 2015, a ida de refugiados para o continente europeu.

Naquele ano, cerca de 970 mil refugiados e migrantes chegaram à Europa pelo Mar Mediterrâneo e outros 34 mil por terra, segundo dados da Acnur, e da Organização Internacional para as Migrações, OIM.

Em 2015 e em 2016, mais de 1 milhão de migrantes que buscavam proteção foram acolhidos pela Alemanha.

O Centro de Informação da ONU para o Brasil, Unic Rio, entrevistou em exclusivo o diretor brasileiro. Veja no vídeo abaixo:

Filmagens

Aïnouz passou seis meses visitando o aeroporto para conhecer seus habitantes, antes de conseguir permissão para gravar, por volta de julho de 2016.

O cineasta lembra que “ninguém podia entrar naquele abrigo porque tinha uma questão de segurança, as pessoas tinham que passar por uma triagem, para a proteção de quem estava vivendo ali”.

Para o diretor, “o cinema tinha a obrigação de derrubar aquele muro”, e assim permitir que o público pudesse entrar num lugar que normalmente não iria.

O filme fez sua estreia mundial num festival em Berlim em março de 2018, e tem previsão de lançamento no Brasil para março de 2019.

Karim Aïnouz passou seis meses visitando o aeroporto para conhecer seus habitantes.
Reprodução
Karim Aïnouz passou seis meses visitando o aeroporto para conhecer seus habitantes.

 

*Reportagem ONU Brasil

 

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