Cinco atitudes e ações da ONU para acabar com a fome

19 outubro 2018

Desperdiçar menos, comer melhor e adotar um estilo de vida sustentável são chaves para construir um mundo sem fome; FAO defende que escolhas atuais são essenciais para um futuro alimentar seguro; fim da fome é uma das prioridades das Nações Unidas. 

Na Semana Mundial da Alimentação, que encerrou esta sexta-feira, as Nações Unidas alertaram que mais de 815 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer no mundo.

Cerca de 155 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofrem com subnutrição crônica. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, uma em cada duas mortes de menores é causada pela fome.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, diz que “com frequência pessoas perguntam se ele realmente acredita se é possível erradicar a fome até 2030”, e que a resposta dele é “sim, eu acredito”.

Brasil

Graziano cita como exemplo o seu país, o Brasil que “praticamente conseguiu eliminar a fome em menos de 10 anos”. Em 2001, 11% da população brasileira não tinha o suficiente para se alimentar. Este índice passou para 2% em 2010.

Em mensagem lida em nome do papa Francisco, ele também chamou a atenção para o problema. Para o chefe da Igreja Católica, “a luta contra a fome necessita de financiamento urgente, do fim das barreiras comerciais e, acima de tudo, uma grande resiliência diante das mudanças climáticas, crise econômica e guerras.

ONU/Logan Abassi
Mulher prepara bolos de barro, discos de barro, manteiga e sal que se tornaram um símbolo da pobreza extrema e fome no Haiti.

#FomeZero

Como parte da campanha #FomeZero, a FAO preparou uma lista com quatro ações que podem ajudar a alcançar um mundo onde todos tenham o que comer. Leia abaixo as dicas da agência:

1. Não desperdice comida

Se você tiver sobras, congele elas para mais tarde ou use elas como ingrediente para fazer uma nova refeição. Quando comer num restaurante, peça uma meia porção se não estiver com muita fome, ou peça para levar o que sobrou para casa.

2. Produza mais, com menos

Até 2050, a estimativa é que o número de habitantes no planeta chegue a 9 bilhões de pessoas. Por isso, agricultores precisam encontrar novas formas e maneiras mais eficientes de produzir alimentos, além de diversificar as plantações. Uma abordagem integrada de agricultura pode ajudar os produtores a aumentar as colheitas, e assim, os lucros. Além disso, também pode contribuir para melhorar a qualidade da terra.

3. Adote uma dieta mais saudável e sustentável

Encontrar tempo para preparar refeições nutritivas pode ser um desafio numa vida com o ritmo rápido, principalmente quando não se sabe como fazer isso. Refeições nutritivas não precisam ser elaboradas. Na verdade, elas podem ser feitas de uma maneira rápida, fácil, e utilizando poucos ingredientes. Compartilhe suas receitas nutritivas com sua família, amigos, colegas e online. Siga chefs de cozinha e bloggers online para aprender novas receitas ou converse com o seu fornecedor local para aprender como eles preparam o que produzem em casa.

4. Defenda a #FomeZero

Todos têm um papel na construção de um mundo com #FomeZero, mas países, instituições e pessoas precisam trabalhar em conjunto para alcançar este objetivo. A FAO estimula a estabelecer parcerias #FomeZero, compartilhar conhecimento e recursos, desenvolver estratégias e descobrir novas oportunidades para contribuir no combate à fome.

Outra sugestão é discutir o assunto com autoridades locais e nacionais, promover programas educacionais relacionados à questão e espalhar a mensagem do #FomeZero através da sua rede de conhecidos.

O que as Nações Unidas fazem para acabar com a fome

Um dos focos da ONU tem sido a questão da fome e desnutrição. Abaixo você confere algumas das maneiras como a organização está contribuindo atualmente para alcançar a #FomeZero no futuro:

1. Ajuda a pequenos agricultores para que produzam mais com menos

Na África Subsaariana e na Ásia, 80% das terras agrícolas são administradas por pequenos agricultores (até 10 hectares). A FAO fornece treinamentos, fontes de sementes com mais qualidade, ferramentas agrícolas e fertilizantes para garantir maiores rendimentos.

Entre os projetos mais importantes estão as escolas de campo para agricultores, onde estudantes aprendem na prática gestão de negócios agrícolas, comercialização de produtos, conscientização do mercado e adaptação às mudanças climáticas para aumento de resiliência.

2. Fornecimento de alimentos em crises humanitárias

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, distribui alimentos após desastres naturais ou em crises humanitárias criadas por conflitos ou emergências de saúde. Muitas vezes é preciso superar grandes desafios logísticos para realizar o trabalho.

Em 2017, 91 milhões de pessoas receberam assistência alimentar em 83 países e 18 milhões de crianças receberam merenda escolar em 60 países através do trabalho do PMA.

Uma forma das pessoas apoiarem estes esforços diretamente é através do aplicativo ShareTheMeal, “compartilhe uma refeição” em português. O aplicativo já permitiu o compartilhamento de mais de 27 milhões de refeições com países no Oriente Médio, Bangladesh, Haiti, Sudão do Sul e da região do lago Chade, através de uma simples clicada. A ONU acredita que a ferramenta tem o potencial de fazer uma diferença real.

3. Combate à desnutrição

Para lidar com as deficiências nutricionais no mundo o Fundo da ONU para Infância, Unicef, e a Organização Mundial da Saúde, OMS, têm uma parceria onde fornecem tratamento de emergência e alimentos terapêuticos para crianças e mulheres grávidas ou lactantes.

As agências também abriram centros de tratamento comunitários, realizam esforços de capacitação em centros médicos em todo o mundo e treinam mães sobre as melhores práticas alimentares.

4. Foco em sistemas econômicos locais

Ao fornecer assistência, a ONU quer garantir que economias locais tenham apoio e sejam abastecidas sempre que possível. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, se comprometeu em comprar 10% dos alimentos que utiliza de pequenos agricultores.

Em crises humanitárias, o apoio com transferência de dinheiro de forma eletrônica e vales-alimentação também são essenciais para impulsionar economias locais. Além disso, ao registrar e rastrear facilmente as transações, é possível aumentar a transparência e eliminar os custos de distribuição e armazenamento de alimentos. O PMA também tem o programa Compras para o Progresso, uma iniciativa que incentiva governos e o setor privado a comprar alimentos de maneira que ajude pequenos produtores. O programa foi implantado em 35 países e mudou a forma como mais de 1 milhão de pequenos agricultores interagem com os mercados.

5. Desenvolvimento de projeções de vulnerabilidade e análises

O Análise e Cartografia da Vulnerabilidade do Programa Mundial de Alimentos permite que a ONU monitore a segurança alimentar em situações diversas e flutuações de mercado. As informações apoiam tomadas de decisão de programas em todo o mundo. ]

Já o Mapa da Vulnerabilidade da Mudança Climática e da Insegurança Alimentar da ONU, lançado durante a conferência de mudança climática em Paris em 2015, examina como a mudança climática pode aumentar a fome no mundo.

6. Empoderamento de mulheres e meninas rurais

As mulheres representam 43% da força de trabalho rural em países em desenvolvimento, e quase 50% no leste e sudeste da Ásia e na África subsaariana.

A FAO crê que se agricultoras tivessem o mesmo acesso a recursos produtivos que os homens, elas poderiam aumentar o rendimento de suas produções de 20% a 30%, tirando entre 100 e 150 milhões de pessoas da fome. Esta é a razão pela qual as Nações Unidas, entre várias iniciativas, colocam ênfase no empoderamento de mulheres e meninas rurais.

7. Promoção de conscientização e mudanças

 O alcance da #FomeZero é o segundo dos objetivos de desenvolvimento sustentável, adotados por 193 Estados-membros em 2015. Para atingir as várias metas até 2030, a ONU está aumentando a conscientização de governos, setor privado, indivíduos e agricultores.

Como diz o chefe da FAO, “nós sabemos o que precisa ser feito, e nós temos que agir agora.” 

 

 

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