FAO defende reforço das capacidades da população rural na Guiné-Bissau

21 outubro 2018

Parceria com governo quer melhorar produção e negócios de horticultura; fortes chuvas, ventos e inundações têm impacto na segurança alimentar dos guineenses.*

Três associações de mulheres da Guiné-Bissau receberam kits de produção alimentar em evento que marcou a Semana Mundial da Alimentação. A principal cerimónia realizada no país teve lugar na comunidade de Nhinte, em Cacheu, onde o índice de insegurança alimentar é de 22,2%.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, disse que o objetivo da oferta  é ajudar a melhorar a produção e os negócios de horticultura na área do norte. A agência é parceira do Governo da Guiné-Bissau que se fez representar no evento pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Nicolau dos Santos.

Choques

A representante da FAO na Guiné-Bissau, Yannick Rasoarimanana, relembrou que, em junho deste ano, a comunidade de Nhinte “sofreu choques tremendos”.

FAO/Guiné-Bissau
Entrega de insumos a agricultoras de Nhinte, Guiné-Bissau.

Entre as principais razões estão as “tempestades que ocorreram um pouco por todo o país, para além das inundações de setembro e ataques da praga lagarta-do-cartucho e outras doenças das culturas e gado”.

A comunidade rural de Nhinte, que na última temporada perdeu toda a produção, é uma das mais vulneráveis à insegurança alimentar e à variabilidade climática.

Yannick Rasoarimanana falou da necessidade das populações rurais reforçarem as suas próprias capacidades, através da colaboração em cooperativas locais. Desta forma podem garantir o “seu direito à alimentação adequada e ao emprego decente, assim como compartilharem conhecimentos sobre a agricultura sustentável”.

País vulnerável

De acordo com o último relatório anual da ONU, a variabilidade climática, as secas e as inundações, assim como conflitos e o abrandamento económico, são fatores que contribuem para o aumento da fome no mundo.

Nos últimos tempos, a Guiné-Bissau tem sofrido fortes chuvas, ventos e inundações, com reflexos na situação de segurança alimentar da população.

Dados do inquérito do sistema de seguimento da segurança alimentar e nutricional no país, apontavam em outubro do ano passado para uma taxa de prevalência de 20% de insegurança alimentar no país.

Além de Cacheu, as altas taxas observaram-se nas regiões de Quinara com 27% e Oio com 22,5%,  excedendo a média global nacional.

Esforços

A Semana Mundial da Alimentação começou em 15 de outubro e teve como lema "Nossas ações são o nosso futuro: é possível um mundo Fome Zero até 2030".

FAO/Guiné-Bissau
Ferramentas oferecidas pela FAO para marcar a Semana Mundial da Alimentação em Nhinte, Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau foi um dos 150 países do mundo que realizou as atividades que em 2018 lembraram que é preciso  intensificar com urgência os esforços coletivos para alcançar a Fome Zero".

*Com reportagem da ONU na Guiné-Bissau.

 

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