Enviado especial alerta Conselho de Segurança para perigo de crise igual a Alepo

27 junho 2018

Entre 45 e 50 mil pessoas já foram deslocadas devido à violência na província de Daraa; conflitos já causaram dezenas de mortos, incluindo crianças.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse esta terça-feira ao Conselho de Segurança que está “seriamente preocupado” com a situação no sudoeste do país.

Nos últimos dias, o governo sírio lançou uma ofensiva militar para tentar retomar algumas áreas controladas pela oposição. Até ao momento, entre 45 mil a 50 mil pessoas foram deslocadas devido a esses conflitos.

Perigos

De Mistura falou por videoconferência, informando sobre a ofensiva terrestre e aérea em grande escala que acontece na região.

Segundo o enviado especial, existe o perigo de ocorrer uma situação semelhante a Alepo ou Ghouta Oriental. Ele pediu a todas as partes que tentem evitar mais sofrimento humano.

Mistura informou que tem notado alguns sinais de progresso. Nas últimas semanas, intensificaram-se os esforços para estabelecer um comitê constitucional, que será liderado pela Síria e facilitado pela ONU.

Situação humanitária

Enviado espacial da ONU para a Síria, Staffand de Mistura. , by ONU/Violaine Martin

O diretor do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários em Nova Iorque, John Ging, também falou no encontro.

O representante explicou as consequências humanitárias dos combates na província de Daraa. Segundo ele, dezenas de moradores, incluindo crianças, terão sido mortos.

Infraestrutura civil, como centros de saúde, também foram atacadas. Um dos hospitais destruídos servia cerca de 90 mil pessoas.

No total, as Nações Unidas calculam que 750 mil pessoas estejam em risco na província de Daraa.

Outros locais

Ging informou que no noroeste da Síria, sobretudo em Idlib, a situação humanitária “está cada vez mais difícil, devido a novos deslocamentos de pessoas desde o final do ano passado”. Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas para a área nos últimos seis meses.

O responsável disse que também há uma crescente preocupação em torno da escalada militar nesta região, com 60 pessoas supostamente mortas por ataques aéreos apenas entre 7 e 10 de junho.

Ging acrescentou que o acesso humanitário no distrito de Afrin continua a melhorar. As necessidades nesse distrito continuam a ser consideradas altas e a maioria das unidades de saúde nas áreas rurais estão fechadas.

 

Apresentação: Alexandre Soares.

 

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