Mundo tem 68,5 milhões de deslocados e ONU pede novo acordo global
BR

19 junho 2018

Agência das Nações Unidas para Refugiados lança relatório Tendências Globais; guerras e perseguição causaram nova alta no número de deslocamentos forçados pelo quinto ano consecutivo; crises em Mianmar e na RD Congo influenciaram.

Guerras, violência e perseguição causaram uma alta no número de deslocamentos forçados no mundo pelo quinto ano consecutivo. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a situação em 2017 foi influenciada pela crise na República Democrática do Congo, pela guerra no Sudão do Sul e por milhares de refugiados rohingya que fugiram de Mianmar e buscaram abrigo em Bangladesh.

O relatório anual Tendências Globais da agência foi lançado esta terça-feira, mostrando que o mundo tem 68,5 milhões de pessoas deslocadas. Segundo o Acnur, o número equivale quase que à população da Tailândia. Pouco mais de 16,2 milhões tornaram-se deslocadas no ano passado, ou 44,5 mil pessoas por dia.

Brasil

O documento destaca que o Brasil tem 85,7 mil requerimentos de asilo pendentes e só no ano passado, o país recebeu 17,9 mil pedidos de venezuelanos. 

Ao todo, existem 10,2 mil refugiados no Brasil. Já Angola abriga quase 33 mil refugiados da RD Congo, enquanto Portugal abriga 1,6 mil refugiados. 

Esperança 

Refugiados que escapam de conflitos e perseguição representam 25,4 milhões do total, enquanto 40 milhões de pessoas que estão deslocadas dentro de seu próprio país. Apesar dos números, o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, diz que há razão para esperança.

Segundo ele, 14 países já estão criando uma forma pioneira de responder à situação dos refugiados e dentro de alguns meses, a Assembleia Geral da ONU adotará o Pacto Global para Refugiados. 

Soluções

Na véspera do Dia Mundial do Refugiado, Grandi faz um apelo para que todos os países apoiem o plano. Ele lembra que ninguém escolhe se tornar um refugiado, mas o resto das pessoas pode escolher ajudá-los.

O Acnur destaca ainda que 85% dos refugiados estão em países em desenvolvimento. A Turquia continua sendo o país que mais recebe pessoas nesta situação, abrigando 3,5 milhões de refugiados, a maioria sírios. 

A agência explica ainda que existem poucas soluções para essas pessoas, porque guerras e conflitos continuam e há pouco progresso rumo à paz. Cerca de 5 milhões de pessoas conseguiram retornar para suas casas em 2017, mas a maioria encontrou muita fragilidade em seus países de origem.