Brasil, Portugal e Moçambique elogiados por acolhimento de refugiados 
BR

8 agosto 2021

Taxa global caiu cerca de 65% em países anfitriões após pandemia; iniciativas nas três nações de língua portuguesas constam de nova análise da Agência da ONU para Refugiados em parceria com o Banco Mundial; estudo prevê que cenário de acolhimento seja mantido em 2021. 

Medidas de restrição nas fronteiras durante a pandemia levaram a uma queda de cerca de 35% do total de refugiados acolhidos no mundo. A quantidade baixou de 64 mil em 2019 para 22,8 mil no ano passado. 

A situação continua marcada por dificuldades no reassentamento de pessoas vulneráveis, segundo um novo relatório da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e do Banco Mundial. 

Brasil 

O documento do Comitê Executivo do Programa do Alto Comissário examina as tendências observadas na proteção internacional entre julho de 2020 ao mesmo período deste ano. 

Em 2021, a queda permanece. Um total de 4,5 mil pessoas foi reassentado no primeiro trimestre.  

Funcionária do Acnur recebe refugiados reassentados originalmente da Síria e do Sudão do Sul no aeroporto de Lisboa, em Portugal
© Acnur/José Ventura
Funcionária do Acnur recebe refugiados reassentados originalmente da Síria e do Sudão do Sul no aeroporto de Lisboa, em Portugal

 

O relatório ressalta haver 57 países que ainda negam acesso a estrangeiros, e outros 73 com acolhimento restrito. 

Brasil e México contaram com relocação interna voluntária de quase 70 mil refugiados e candidatos a asilo.  

O tipo de iniciativas facilitou o acesso dos beneficiários a empregos estáveis, alojamento e serviços de saúde com sua contratação por entidades do setor privado. O estudo ressalta estas situações como exemplos para conectar os refugiados a oportunidades de emprego além-fronteiras e para criar trabalho. 

Portugal e Moçambique 

As autoridades do Brasil, de Portugal e de Moçambique e de Estados-membros da União Europeia foram elogiadas por ampliar a validade de documentos de identidade para requerentes de asilo ou concessão de residência. 

Ainda em 2020, Brasil e Moçambique foram as únicas nações de língua portuguesa participantes na iniciativa “Safe from the Start”, patrocinada pelos Estados Unidos, de apoio a operações em favor da segurança de pessoas em busca de abrigo.  

Vídeo de arquivo:

 

Essas ações também ocorreram em áreas de países como Burquina Fasso, Burundi, Camarões, Djibouti, Mali, Sudão e Iêmen e em diversas regiões africanas. 

O impacto socioeconômico da Covid-19 afetou quase todos os aspectos da vida dos refugiados e pessoas forçadas a se deslocar, especialmente as que estejam vivendo fora dos acampamentos. 

Perda de emprego 

Dados de oito países de acolhimento de refugiados antes da Covid-19 destacam que o grupo teve até 60% de probabilidade de trabalhar em setores altamente suscetíveis a pandemia do que os nascidos naqueles países.  

As áreas em destaque foram as de alojamento, serviços alimentares, fábricas e varejo. 

Um dos maiores exemplos dessa situação é o do acampamento de  Kalobeyei, no Quênia.  

Pesquisadores também observaram que o desemprego entre os refugiados caiu cerca de 75% em comparação aos níveis pré-pandêmicos. Um prejuízo três vezes mais alto que dos empregos nacionais. 

Tanto para refugiados como para comunidades anfitriãs, as perdas foram de igual intensidade em lugares como Iêmen, onde o acesso a cuidados de saúde para todos não evoluiu dos níveis anteriores à pandemia devido ao conflito.  

Funcionária de sáude prepara vacina em assentamento de refugiados rohingya em Bangladesh
Unicef/Patrick Brown
Funcionária de sáude prepara vacina em assentamento de refugiados rohingya em Bangladesh

 

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