Opaq diz que ainda não pôde entrar em Duma para investigar suposto ataque químico na Síria
BR

16 abril 2018

Declaração foi feita pelo diretor-geral da agência, Ahmet Üzümcü, nesta segunda-feira; Rússia e Síria dizem que existem assuntos pendentes de segurança para liberar a visita.

Peritos da Organização para Proibição de Armas Químicas, Opaq, que devem investigar um suposto ataque químico na Síria, ainda não tiveram acesso ao local do incidente.

A informação é do chefe da Opaq, Ahmet Üzümcü, que destacou uma equipe de nove especialistas para Damasco, capital do país, no sábado. Eles devem realizar a missão em Duma, nos arredores da capital síria, onde o ataque teria ocorrido em 7 de abril.

Resposta

Segundo a agência, representantes russos e sírios que participaram das reuniões de preparação da missão disseram que “ainda existem assuntos de segurança pendentes que têm de ser resolvidos antes que o envio aconteça.”

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, disse que "as Nações Unidas forneceram todas as autorizações de segurança necessárias para a equipe da Opaq fazer o seu trabalho em Duma.”
 

A missão foi informada da impossibilidade de chegar a Duma durante um briefing em Damasco.

 

Uma rua em Douma, leste de Ghouta, na Síria. Foto: Unicef/Amer Al Shami
Uma rua em Douma, leste de Ghouta, na Síria. Foto: Unicef/Amer Al Shami

 

Como alternativa, as autoridades sírias ofereceram aos investigadores a possibilidade de entrevistar 22 testemunhas do ataque, que seriam trazidas até Damasco.

Informação

O diretor-geral da Opaq pediu que fossem tomadas as medidas necessárias para que a missão chegue ao terreno “o mais rápido possível.”

Üzümcü também pediu que os Estados-membros partilhem qualquer informação que tenham sobre o incidente.

Mais de 70 pessoas morreram em Duma durante o suposto ataque. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas.

A Opaq já pediu à OMS que partilhe toda a informação que recolheu no terreno.

Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança fez uma reunião de emergência sobre este tema no sábado, depois de um ataque aéreo coordenado por Estados Unidos, França e Reino Unido.

No encontro, o secretário-geral da ONU afirmou que a Síria é hoje a ameaça mais séria à paz e à segurança internacionais.

Para António Guterres, acontecem na Síria violações sistemáticas da lei internacional e de direitos humanos e um desrespeito ao espírito da Carta das Nações Unidas.

 

Escola bombardeada na área de Hujjaria em Damasco. Foto: Unicef/M. Abdulaziz.
Escola bombardeada na área de Hujjaria em Damasco. Foto: Unicef/M. Abdulaziz.

Na semana passada, o Conselho de Segurança tentou estabelecer um novo mecanismo de investigação sobre este ataque. As três propostas, uma dos Estados Unidos e duas da Rússia, foram recusadas.

Já no sábado, o Conselho reuniu-se em Nova Iorque, em sessão de emergência, para debater um esboço de resolução da Rússia condenando o ataque coordenado por Estados Unidos, França e Reino Unido. Mas a proposta só recebeu três votos a favor: Bolívia, China e Rússia.

 Apresentação: Monica Grayley.