Angola e Timor-Leste têm menos mulheres em cargos parlamentares
BR

2 março 2018

Países lusófonos estão entre os que tiveram as maiores quedas de participação feminina nos Parlamentos; relatório da União Inter-Parlamentar mostra que em 2017, Angola teve diminuição de 7,3% e Timor-Leste de 6,2%.

O número de mulheres nos Parlamentos nacionais subiu muito pouco em 2017, apenas 0,1%, representando 23,4% de participação na média global. O balanço foi divulgado esta sexta-feira pela União Inter-Parlamentar.

Por outro lado, um número recorde de mulheres concorreram a cargos públicos nas eleições de 2017, sendo que o Senegal foi o país que elegeu a maior porcentagem de mulheres (41,8%), seguido pela Noruega (41,4%).

Queda na participação

O relatório da UIP traz dados de 34 países, sendo apenas dois de língua portuguesa: Angola e Timor-Leste. As duas nações não tiveram progressos neste campo no ano passado.

Em Angola, na África, das 220 cadeiras, as mulheres passaram a ocupar 59 assentos, uma diminuição de 7,3%. Já no Timor-Leste, na Ásia, a queda foi de 6,2%, com as mulheres ocupando 21 das 65 cadeiras parlamentares. Somente duas nações tiveram resultados piores: Liechtenstein e Islândia, onde a diminuição foi de 9,5%.

França, Albânia e Nova Zelândia foram as nações com os resultados mais positivos de participação feminina nos parlamentos, com aumento de 12%, 10% e 8,6% respectivamente.

Assédio

Nas Américas, progressos foram notados na Argentina, que tem agora 38,1% dos assentos ocupados por mulheres, Chile (22,6%) e Equador (38%).

A UIP destaca ainda que os Parlamentos deveriam ser um lugar para as mulheres trabalharem sem medo de assédio sexual. Mas este não parece ser o caso, já que mais parlamentares fizeram queixas sobre assédio sexual em 2017.

Segundo o relatório, isso contribuiu para parlamentos de países como Canadá, França, Itália, Suíça, Reino Unido e o Parlamento Europeu fizessem uma avaliação do ambiente de trabalho.

O secretário-geral da União Interparlamentar, Martin Chungong, destacou ser “vital que as mulheres façam parte de instituições que tomam decisões, como os parlamentos”. Segundo ele, isso é fundamental para a igualdade de gênero e para a democracia.