Acnur: número sem precedentes de civis foge da República Centro-Africana
BR

23 janeiro 2018

Milhares continuam cruzando a fronteira com o Chade e segundo agência da ONU, meio milhão de centro-africanos estão refugiados em países vizinhos; total de deslocados internos passa de 688 mil pessoas.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque. 

Após abandonar sua casa na República Centro-Africana e caminhar por 24 horas, um casal com cinco filhos chegou ao Chade há algumas semanas. A família contou à Agência da ONU para Refugiados, Acnur, que foi recebida por uma outra família chadiana e são beneficiados por alimentos fornecidos pela agência.

Essa é mais uma história dentre milhares de pessoas que já cruzaram a fronteira com o Chade, escapando da violência na República Centro-Africana. Segundo o Acnur, o deslocamento forçado atingiu o nível mais alto desde 2013, quando a crise começou no país. 

Números recorde 

Segundo o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards, mais de 688 mil pessoas estão deslocadas dentro da República Centro-Africana.

Em Genebra, Edwards explicou que isso representa um aumento de 60% no número de deslocados em um ano. Além disso, mais de 542 mil centro-africanos atravessaram as fronteiras e buscaram refúgio em países vizinhos, 12% a mais do que há um ano.

Incêndios e mortes

Segundo o porta-voz, para um país com 4,6 milhões de habitantes, esses números representam um “nível de sofrimento espantoso”. Desde o fim de dezembro, mais de 17 mil pessoas fugiram da República Centro-Africana, um número 10 vezes maior do que toda a quantidade de civis que deixaram o país em 2017.

O Acnur está distribuindo alimentos e outros itens a esses civis, que contam que grupos armados atacaram seus vilarejos, incendiaram casas, saquearam e mataram pessoas.

Autoridades locais informaram à agência que no noroeste do país, 15 mil casas foram incendiadas e 487 pessoas foram mortas.

Notícias relacionadas:

Milhares de centro-africanos fogem da violência e seguem para o Chade

Missão da ONU na República Centro-Africana condena violência sectária