Pillay alarmada com sentença de morte para 152 soldados em Bangladesh BR

Pillay alarmada com sentença de morte para 152 soldados em Bangladesh

Alta comissária para Direitos Humanos afirma “que a justiça não será alcançada com julgamentos em massa de centenas de pessoas”; ela reconhece, porém, que crimes cometidos são abomináveis.”

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, está alarmada com a sentença de morte para 152 soldados de Bangladesh. Eles foram acusados de assassinatos e crimes sexuais cometidos em fevereiro de 2009.

Na ocasião, 74 pessoas, incluindo integrantes do exército, foram brutalmente assassinados. Os corpos deles foram despejados em valas comuns. Há relatos de que algumas esposas das vítimas foram estupradas.

Tortura

Na terça-feira, um tribunal em Bangladesh condenou 152 responsáveis à morte e 161 pessoas à prisão perpétua.

Segundo Navi Pillay, há relatos de que vários suspeitos morreram em custódia e alegações de abusos e torturas dos detidos. A alta comissária reconhece, no entanto, que os crimes cometidos pelos acusados são “totalmente repreensíveis e hediondos”.

Mas na opinião de Pillay, a justiça não será alcançada “com julgamentos em massa de centenas de pessoas, com a tortura dos suspeitos e com sentenças de morte.”

Imparcialidade

A alta comissária pede ao governo de Bangladesh a não seguir com a pena de morte, alegando preocupações com imparcialidade dos julgamentos, como a falta de acesso a advogados.

Pillay lembra que por ter ratificado a Convenção da ONU contra Tortura, Bangladesh é obrigado a tomar medidas para prevenir atos de tortura em qualquer território do país.

Ela pede revisão das sentenças de cada um dos suspeitos e defende que qualquer tipo de evidência obtida sob tortura não deve ser utilizada em tribunal.

As Nações Unidas são contra a imposição da pena de morte sob qualquer circunstância, mesmo para os crimes internacionais mais graves.