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Acnur quer mais apoio para evitar uma piora da crise de deslocamento no Sahel

Uma jovem maliana com um lenço amarelo e vermelho na cabeça lê um livro didático em uma sala de aula em Kidal, Mali.
© Unicef/Seyba Keïta Sahel é marcado por conflitos, pelo aumento dos preços e pela redução da ajuda humanitária

Acnur quer mais apoio para evitar uma piora da crise de deslocamento no Sahel

Ajuda humanitária

Região africana acolheu recentemente 4,8 milhões de pessoas recém-chegadas de áreas afetadas por guerras, perseguições e outras situações perigosas; auxílio para apoio a pessoas em movimento em 2024 cobre apenas 16% das necessidades.

A região africana do Sahel continua precisando de auxílio urgente para pessoas em movimento, destacou a alta comissária adjunta para a Proteção da Agência da ONU para os Refugiados, Acnur.

Após visitar o Mali eTogo, Ruvendrini Menikdiwela elogiou a abertura de fronteiras para acolher pessoas da região e a defesa dos princípios de asilo. Ela alertou, no entanto, que foi coberta apenas uma fração dos fundos necessários.

Burquina Fasso, Mali e Níger

O Acnur estima que sejam necessários US$ 331,4 milhões neste ano para apoiar as operações da agência na área do Sahel Central, que abarca o Burquina Fasso, Mali e Níger. Outra meta é dar resposta às necessidades urgentes dos deslocados.

Crianças da Escola Primária Blangou Yaskou, na região de Diffa, no Níger, levantam as mãos em sinal de entusiasmo, na presença de um funcionário do Programa Mundial de Alimentos.
© PMA/Abdoul Rafick Gaissa Chai Estima-se que um total de 4,8 milhões de pessoas chegaram recentemente ao Sahel

Até o final de fevereiro, o valor para financiar o tipo de atuação totalizou apenas 16%, numa situação que “coloca em risco a continuidade dos serviços essenciais”.

Somente o Mali acolhe 1,1 milhão de refugiados e candidatos a asilo que atravessaram as fronteiras da região para fugir de guerras, perseguições e outras situações de perigo, tanto no Sahel como em outras áreas africanas.

Estima-se que um total de 4,8 milhões de pessoas chegaram recentemente ao Sahel, após terem sido forçadas a fugir das suas casas em busca de segurança.

Registro de refugiados

A agência da ONU elogiou as autoridades malianas pela oferta dos “mesmos direitos que seus cidadãos” aos refugiados logo após seu registro, incluindo o acesso a serviços como saúde e educação.

A representante do Acnur destacou, no entanto, que este tipo de atendimento humanizado pode tornar-se cada vez mais raro na região “se não houver apoio internacional imediato e sustentado”.

Beneficiários, incluindo uma criança pequena, aguardam em um ponto de distribuição de alimentos e assistência nutricional do WFP de Alimentos) na vila de Maigardaye, região de Zinder, Níger.
© PMA/Simon Pierre Diouf Acnur estima que sejam necessários US$ 331,4 milhões neste ano para apoiar as operações da agência na área do Sahel Central

Tanto o Mali como outros países da região estão “sob pressão extrema” devido ao deslocamento forçado. A situação carece de um “apoio imediato e adicional” para se evitar que haja um agravamento ainda maior da crise humanitária.

Ruvendrini Menikdiwela ressaltou que os riscos são alarmantes em países como o Mali e seus  vizinhos, muitos deles enfrentando crises internas de deslocamento.

Preservação de direitos e dignidade

Para ela, os atuais “tempos difíceis” carecem de ação imediata pela segurança e pelo bem-estar das pessoas em movimento, preservando seus direitos e dignidade. O Acnur fala ainda de um aumento significativo da violência de gênero na região.

O território maliano acolhe atualmente cerca de 66.793 refugiados, mesmo enfrentando necessidades urgentes para lidar com mais de 354 mil deslocados internos. 

Nos últimos três meses, o Mali acolheu mais de 40 mil pessoas originárias somente de Burquina Fasso. Elas fugiram da turbulência e da instabilidade no país da África Ocidental.

O Sahel é marcado por conflitos, pelo aumento dos preços e pela redução da ajuda humanitária, adicionados às tensões regionais devido aos efeitos das alterações climáticas. 

Um grupo de mulheres com trajes tradicionais está sentado em uma aldeia rural africana. Uma mãe amamenta seu bebê enquanto outra separa folhas em uma tigela azul. Uma pequena fogueira é visível em primeiro plano.
© PMA/Cheick Omar Bandaogo Acnur quer dar resposta às necessidades urgentes dos deslocados