Perspectiva Global Reportagens Humanas

Complicações na gravidez ou no parto matam uma mulher a cada dois minutos

A parteira Catarina Toc examina o ventre grávido de Ramona Rodríguez, uma mulher de 28 anos da comunidade de Chuisuc, em Totonicapán, Guatemala.
© UNICEF/Patricia Willocq Mulher grávida na Guatemala recebe cuidados de um profissional de saúde.

Complicações na gravidez ou no parto matam uma mulher a cada dois minutos

Saúde

Moçambique está no top 10 global de redução da mortalidade materno infantil; Brasil e Portugal reportaram mais óbitos, em análise publicada pelas Nações Unidas e o Banco Mundial; taxa geral baixou 34,3% em 20 anos.

As Nações Unidas calculam que uma mulher morre a cada dois minutos devido a complicações na gravidez ou no parto. Esse quadro persiste apesar da queda em um terço das taxas de mortalidade materna em 20 anos.

Entre 2000 e 2015, o índice baixou de forma significativa, mas estagnou amplamente entre 2016 e 2020, tendo até recuado em algumas regiões.

Um homem com camisa laranja e boné de beisebol segura um bebê em uma clínica no Haiti, enquanto outras pessoas aguardam nas proximidades.
© WHO/PAHO

Covid-19 e a crise econômica

A publicação Tendências na mortalidade materna 2000 a 2020 ressalta que a pandemia de Covid-19 e a crise econômica podem ter influenciado esse quadro de forma negativa.

O relatório lançado, esta quinta-feira em Genebra, indica que a taxa geral de mortalidade materna baixou 34,3% em 20 anos. Em 2000, ocorriam 339 mortes maternas por cada 100 mil nascidos vivos, um número que chegou a 223 mortes maternas em 2020.

Quase 800 mulheres morreram por dia em 2020. Os dados são do estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde, OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o Fundo da ONU para a População e o Banco Mundial.

Língua portuguesa

Com mais de 76%, Moçambique está entre os 10 países com a maior percentagem de redução da mortalidade materno-infantil nos primeiras duas décadas deste século. A lista é liderada pela Belarus com 95,5%.

Entre as nações lusófonas, Angola aparece com um decréscimo de 73,9%, Brasil com um aumento de 5,4%, Cabo Verde com redução de 64,5% e a Guiné-Bissau com uma baixa de 46% de óbitos de mães na hora do parto.

Portugal teve um aumento de 10,5% nesses casos, São Tomé e Príncipe baixou 17,6% e Timor-Leste teve 73% de óbitos.

Uma mãe segura seu filho pequeno em um ambiente rural em Cabo Delgado, Moçambique, com suprimentos de ajuda alimentar do WFP de Alimentos) visíveis nas proximidades.
WFP Mozambique PMA está em Moçambique a fornecer alimentos, nutrição e assistência aos meios de subsistência aos necessitados

Venezuela

Nas Américas, salientam-se a Venezuela por ter registrado o maior aumento de mulheres morrendo ao dar à luz até 2020, enquanto entre 2000 e 2015 os Estados Unidos estavam em destaque.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, embora a gravidez deva ser um momento de imensa esperança e uma experiência positiva para todas as mulheres, ainda é tragicamente chocante e perigosa para milhões em todo o mundo.

O chefe da agência diz que as estatísticas ilustram a necessidade urgente de garantir que todas as mulheres e meninas tenham acesso a serviços essenciais de saúde e a seus direitos reprodutivos.

De acordo com o relatório, entre 2016 e 2020, as taxas de mortalidade materna caíram em duas das oito regiões: Austrália e Nova Zelândia em 35% e na Ásia Central e Meridional em 16%.

A taxa aumentou na Europa e na América do Norte em 17% e na América Latina e no Caribe em 15%. Em outras regiões estagnou.

Grandes crises humanitárias

A concentração das mortes maternas continua a ser observada em regiões mais pobres do mundo e em países afetados por conflitos. Cerca de 70% dos óbitos em 2020 ocorreram na África Subsaariana, onde a taxa é “136 vezes maior” do que na Austrália e na Nova Zelândia.

Em contextos de grandes crises  humanitárias, tais como Afeganistão, República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen as taxas ultrapassam o dobro da média global.

As causas principais do problema, que podem ser evitáveis ​​e tratáveis,  são sangramento grave, infecções, complicações de abortos inseguros e condições subjacentes, como HIV/Aids.

Proteger a saúde

Para a OMS. é vital que as mulheres tenham controle sobre sua saúde reprodutiva. Elas devem ter decisões sobre se e quando pretendem ter filhos, para que possam planejar e espaçar a gravidez para proteger sua saúde.

A diretora executiva do Fundo de População da ONU, Natalia Kanem,  considera a taxa de mulheres que perdem a vida nessas situações como desnecessária e inconcebível.

Ela defendeu que o mundo pode e deve fazer melhor investindo urgentemente em planejamento familiar e preenchendo a escassez global de 900 mil parteiras.