OMS: gravidez indesejada resulta de falta de serviços de planejamento familiar
BR

25 outubro 2019

Novo estudo da Organização Mundial da Saúde pesquisou 36 países da região Ásia-Pacífico e descobriu que 66% das mulheres sexualmente ativas, que queriam adiar a gravidez, pararam de usar contraceptivos por vários motivos; 85% delas engravidaram já no primeiro ano.

A falta de serviços de planejamento familiar e de informação sobre a possibilidade de engravidar estão entre as principais causas da gravidez indesejada.

Num novo estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, na região da Ásia-Pacífico, a agência constatou que uma em quatro mulheres teve uma gravidez indesejada após abandonar o uso de contraceptivos.

Novo estudo da OMS, na região da Ásia-Pacífico, a agência constatou que uma em quatro mulheres teve uma gravidez indesejada após abandonar o uso de contraceptivos. Foto: Unicef/ishwanathan

Efeitos colaterais

A pesquisa, realizada em 36 países da região, indica ainda que dois terços das mulheres sexualmente ativas que queriam adiar a gravidez, ou ter menos filhos, deixou de usar a pílula por causa de efeitos colaterais, preocupações com a saúde e até mesmo acreditarem que não engravidariam. No total, 25% tiveram a gravidez.

Para a OMS, as altas taxas de gravidez indesejada estão relacionadas à falta de serviços de planejamento familiar.

A agência explica que a falta de intenção de engravidar não tem o mesmo significado que gravidez indesejada.  No caso da falta de intenção, existem riscos de saúde para a mãe e o bebê como desnutrição, doenças, negligências e até mesmo a morte.

A gravidez sem propósito também leva a ciclos de alta fertilidade, mina potenciais de educação e emprego e conduz à pobreza. Todos desafios que podem se espalhar por gerações.

Opas
Em todo o mundo, anualmente, 74 milhões de mulheres vivendo em países de rendas baixa e média engravidaram sem intenção.

Aborto

O estudo da OMS também lembra que métodos modernos de contracepção têm um papel vital para evitar a gravidez não-intencional.

No caso dos países pesquisados, 85% das mulheres que pararam de usar os contraceptivos engravidaram logo no primeiro ano. 

Já dentre as mulheres que fizeram aborto, metade tinha deixado de usar os contraceptivos por vários motivos.

A médica do Escritório de Saúde Reprodutiva e Materna do Escritório Regional do Oeste do Pacífico, Mari Nagai, diz que a alta qualidade de serviços de planejamento familiar benéfica não só a saúde materno-infantil como as taxas de desenvolvimento econômico-social, de educação e os níveis de autonomia da mulher.

Gravidez indesejada continua sendo um problema importante de saúde pública. Em todo o mundo, anualmente, 74 milhões de mulheres vivendo em países de rendas baixa e média engravidaram sem intenção. O quadro causou 25 milhões de abortos em condições inseguras e 47 mil mortes maternas.

Para a OMS, os serviços de saúde precisam promover o uso eficiente de métodos de contracepção que atendam às mulheres, além disso é preciso saber as preocupações das mulheres com os métodos que utilizam.

Mulheres em idade reprodutiva que queiram trocar os contraceptivos precisam ser bem informadas, aconselhadas e terem seus direitos e dignidade respeitados.
 

 

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