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Agência da ONU alerta para possíveis surtos de sarampo nas Américas

Um profissional de saúde que aplica vacinas em um posto de saúde em Bungamati, Nepal, segura um frasco de vacina contra o sarampo.
Unicef/Kiran Panday Entre 2000 e 2018, a vacina contra o sarampo evitou cerca de 23,2 milhões de mortes em todo o mundo

Agência da ONU alerta para possíveis surtos de sarampo nas Américas

Saúde

Com declínio na vacinação, Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, destaca que risco está em seu ponto mais alto nos últimos 30 anos; Américas foram declaradas livres da doença em 2016, mas grandes surtos ocorreram no Brasil e Venezuela nos últimos seis anos.

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, emitiu um alerta, pedindo aos países das Américas a atualizarem seus planos de resposta para evitar a volta da transmissão endêmica do vírus do sarampo.

Uma redução na cobertura vacinal infantil da região aumentou a possibilidade de surtos da doença.

Uma menina de camisa vermelha sorri para a câmera durante o lançamento da Semana de Vacinação nas Américas, em Cuiabá, Brasil, em 2019.
Opas Os surtos mais significativos ocorreram no Brasil, onde a circulação endêmica continua, e na Venezuela

Circulação endêmica continua no Brasil

No comunicado, o braço da OMS nas Américas, lembra que a vacinação e a vigilância epidemiológica de doenças que podem ser prevenidas através de imunização são serviços de saúde essenciais e não devem ser interrompidos.

De acordo com a Opas, o risco de surtos dessas doenças na região está em seu ponto mais alto nos últimos 30 anos.

As Américas ficaram livres do sarampo em 2016. Mas, como o vírus continua circulando em outras partes do mundo, as nações latino-americanas e caribenhas relataram um aumento de casos importados entre 2017 e 2019.

Os surtos mais significativos ocorreram no Brasil, onde a circulação endêmica continua, e na Venezuela.

Uma enfermeira aplica uma vacina no braço de uma menina em uma clínica.
Opas Vacinação de crianças e adolescentes contra sarampo e difteria na América do Sul

Pandemia ajudou a diminuir transmissão do vírus

Desde então, os casos confirmados diminuíram e, em 2022, graças às medidas de distanciamento social impostas durante a pandemia de Covid-19, apenas seis países da região notificaram casos importados de sarampo: Argentina, Brasil, Canadá, Equador, Paraguai e Estados Unidos.

A Opas recomenda que os pais, responsáveis ou cuidadores garantam que seus filhos recebam duas doses de vacina contra sarampo, caxumba e rubéola para prevenir surtos e protegê-los contra complicações graves, como pneumonia, que pode ser fatal para bebês e crianças.

Mas, em 2021, mais de 1,7 milhão de menores em 28 países e territórios das Américas não receberam uma dose inicial da vacina contra o sarampo até completar um ano de vida. No mesmo ano, a cobertura regional para a primeira dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola foi de 85%.

Apenas seis países atingiram o nível recomendado de 95% ou mais, necessário para sustentar a eliminação dessas doenças, e 10 países relataram uma cobertura inferior a 80%.

Uma enfermeira administra a vacina contra o sarampo a uma criança pequena que está no colo da mãe.
Foto: OMS/Opas Vacinação contra o sarampo é essencial para evitar casos

OMS e CDC já fizeram alerta

O sarampo é um vírus grave e altamente contagioso. Entre 2000 e 2018, a vacina contra o sarampo evitou cerca de 23,2 milhões de mortes em todo o mundo.

Em novembro de 2022, um relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, CDC, revelou a ameaça do sarampo em todo o mundo.

O documento chamava a atenção para a diminuição no número de crianças vacinadas contra o sarampo, desde o início da pandemia de Covid-19. Em 2021, um recorde de quase 40 milhões perderam uma dose da vacina.

Esse declínio é um revés significativo no progresso global para alcançar e manter a eliminação do sarampo e deixa milhões de crianças suscetíveis à doença.