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Conselho de Segurança rejeita resolução proposta pela Rússia sobre situação humanitária na Ucrânia BR

Os membros do Conselho de Segurança da ONU votam levantando as mãos durante uma sessão formal na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
Foto: UN Photo/Manuel Elias A Rússia teria pedido uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para tratar do tema, mas até a manhã desta segunda-feira, não havia nenhum encontro anunciado na agenda do órgão

Conselho de Segurança rejeita resolução proposta pela Rússia sobre situação humanitária na Ucrânia

Paz e segurança

Votação teve dois votos a favor, da Rússia e China, enquanto os demais 13 membros do órgão se abstiveram; na Assembleia Geral vota nesta quinta-feira duas resoluções que também focam na ajuda humanitária.  

O Conselho de Segurança rejeitou na noite de quarta-feira, em Nova Iorque, uma resolução proposta pela Rússia sobre a situação humanitária na Ucrânia. Apenas os embaixadores russo e chinês votaram a favor do texto, enquanto todos os demais 13 membros do órgão se abstiveram. 

O documento proposto “exigia proteção para os civis e pedia acesso total de ajuda humanitária na Ucrânia, além da passagem segura para outros países de ucranianos e de nacionais de países terceiros”. Porém, delegações de vários países denunciaram a medida como “uma tentativa de Moscou em justificar suas agressões contra o país vizinho.” 

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Medida “inconcebível” 

Após a votação, a delegação da Rússia disse que não aprovar o texto estava “expondo todos que acreditam que a politização da questão humanitária é mais importante do que entregar ajuda aos vulneráveis”.  

Em resposta, delegações de vários países denunciaram a resolução como “uma tentativa de esconder uma campanha de agressão brutal pós-invasão”, com a representação dos Estados Unidos afirmando inclusive ser “inconcebível” a Rússia propor um texto pedindo que a comunidade internacional resolve uma crise criada pelo próprio país.  

A embaixadora americana Linda Thomas-Greenfield disse que “a Rússia não se preocupa com a deterioração das condições humanitárias e com as milhões de vidas e os sonhos destruídos com a guerra.” 

Representação brasileira  

Embaixadores dos Estados Unidos e França afirmaram que a resolução russa “esconde a real gravidade da situação”. Países como Noruega e México questionaram as intenções da Rússia em submeter o texto, já que é parte do conflito e não pode se apresentar como neutra. 

O representante do Brasil afirmou que embora o texto da Rússia proponha ações para o alívio humanitário, não se aprofunda em soluções para o conflito. O país seguiu se colocando à disposição para apoiar soluções pacíficas. 

Assembleia Geral 

Com o conflito na Ucrânia completando um mês neste 24 de março, a Assembleia Geral da ONU reabriu, na quarta-feira, a sessão emergencial sobre a crise na Ucrânia. Duas resoluções similares foram apresentadas às delegações dos Estados-membros da ONU, focando também na situação humanitária.  

O primeiro texto, apresentado pela Ucrânia e por quase 100 países-membros, denuncia o ataque da Rússia por criar uma “terrível situação humanitária” e a resolução pede ainda a criação de um corredor humanitário, exige o fim do conflito e a saída de todas as tropas.  

O segundo texto, proposto pela África do Sul, pede que "todas as partes no conflito cessem imediatamente as hostilidades”, porém não faz nenhuma menção à Rússia. 

Guerra Injustificada 

Sergiy Kyslytsya, Representante Permanente da Ucrânia junto à ONU, falando em reunião do Conselho de Segurança.
Foto: UN Photo/Evan Schneider Embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, no Conselho de Segurança.

Falando na Assembleia Geral, o embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, criticou o que chamou de “guerra injustificada” que “dividiu as vidas de milhões” de seus compatriotas, causando ainda um “desastre humanitário.” 

Por sua vez, o embaixador russo Vasily Nebenzya disse que a proposta de resolução da Ucrânia traz uma visão “falsa sobre o que está acontecendo, ignorando as causas da crise e o papel do Ocidente em usar o país” para o que ele chamou de “um jogo geopolítico contra a Rússia.” 

A votação das duas resoluções acontecerá nesta quinta-feira, no saguão da Assembleia Geral. Para serem adotadas, são necessários dois terços de votos a favor. 

O Brasil se posicionou e reforçou a preocupação com os ucranianos, destacando as doações feitas e a abertura de fronteiras para refugiados. O país também falou sobre o agravamento da fome por conta do conflito e os potenciais consequências negativas das diversas sanções impostas à Rússia.  

As resoluções votadas na Assembleia Geral não possuem efeitos legais e não existe possibilidade de veto. Os textos são usados para influenciar e refletir a posição da maioria dos Estados-membros.